Reforma indígena e urbana em São Paulo

Mentira, não vou falar mesmo de reforma indígena ou urbana em São Paulo, o post é só para continuar e registrar algo que coloquei no Facebook em face a diversas reações à questão indígena Guarani/Kaiowá levantada – muito bem levantada – por Bob Fernandes e Eliane Brum recentemente.

Para ficar claro: eu também apoio o povo Guarani/Kaiowá em suas demandas, mas acho importante lançar algumas perguntas que julgo pertinentes, que tem mais a ver com o comportamento das pessoas em redes sociais (sejam online ou numa mesa de um bar ou as pessoas na sala de jantar ocupadas em viver e morrer.)

  • já ouviram o outro lado?
  • já ouviram as pessoas “no meio”: moradores das regiões próximas que não estão exatamente de um lado ou de outro?
  • aos paulistanos, especificamente, 1: sabem que tem índio na cidade de São Paulo, em Paralheiros?
  • aos paulistanos, especificamente, 2: já pensou como você reagiria se as reinvidicações por terra enquadrassem sua casa/seu apto no Centro, no Ipiranga, no Morumbi, na Vila Madalena, no Butantã, no Mandaqui, em Guarapiranga, etc ?

PS: Não se ocupe em responder, concordando ou discordando, aqui no blog, pois o objetivo é simplesmente levantar o questionamento. E é irrelevante se concordo ou discordo da questão original (Guarani/Kaiowá) ou de seus comentários, o exercício aqui é outro.

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O cúmulo da burocracia online e offline

Publicado pelo camarada Fábio Pazzini no Facebook e reproduzido como publicado, sobre a falta de bom senso, de cumprimento à políticas de acessibilidade e evidenciando, mais uma vez o descompasso da máquina pública em relação à realidade e o quanto esta máquina gosta de complicar e burocratizar tudo.

Uma coisa meio Kafka, em versão digital.

Sabe qual é o cúmulo da burrocracia ao quadrado?

Pra acessar um serviço eletrônico dentro do site da Secretaria de Estado da Fazenda do estado de SP, é preciso comparecer ao posto fiscal com um requerimento de senha preenchido. Ou seja, pra usar a internet, é preciso ir até o posto fiscal e pedir uma senha. Bom, mas pra ir até o posto fiscal pedir a senha, tem que baixar o tal requerimento do site da Secretaria. Ou seja, é preciso acessar a internet, pra baixar um documento, pra ir no posto fiscal e pedir pra usar a internet. Tá. Já está burrocrático, né?

Sabe qual é o cúmulo? O que se baixa no link do site da tal Secretaria, é um arquivo ‘.exe’, ou seja um executável, que só roda em Windows, claro. Ai xinguei um pouco, pois uso Mac, e tenho uma alternativa Linux, mas em nenhum dos dois funciona, claro. Ai então abri o Win7 que tenho instalado, e tchan, nan! Não roda. É pra windows XP !!!

Bom, lá vamos nós abrir o velho Laptop, que segue funcionando bem com Win XP. Abri o ‘requersenha.exe’ e… tchan nan… é um autodescompactador ZIP !@#!$#@!!!! E o que ele descompactou? Um arquivo ‘.doc’

Porra!!! Se era pra usar um ‘.doc’ comum, porque ele veio compactado num arquivo que só roda em Windows XP??? !!@#!#$@øæß!!! E pior, porque razão inexplicável alguém achou que era necessário compactar um documento de 23KB !!!!????

Porque essa era a melhor maneira de elevar a burrocracia ao quadrado! Oras…

desGoverno de São Paulo…

Segue o print screen do post no Facebook.

Depoimento no Facebook sobre burocracia do Governo do Estado de São Paulo para serviços online e offline.

Para acessar um serviço do Governo do Estado de São Paulo você precisa requerer senha no posto de atendimento, e para isto você precisa baixar um arquivo que está… no site. E que só roda em 30 a 40% dos computadores brasileiros. E aí, você precisa… ih, me perdi!

PS Off topic: 3 posts em um dia. Será que este blog zumbi voltará de fato à vida?

Um dia você odeia BBB 12, no outro você ama e vota na May Medeiros

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Não esqueçam de votar pela eliminação do Fael neste paredão (clique aqui para votar)

E abaixo, alguns motivos para manter a Mayara lá na casa do BBB! #Fica Mayara
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Mayara Medeiros: culta, autêntica e defensora da liberdade e vale a pena ficar no BBB.Então é assim como em 1984, de George Orwell. Você passa anos odiando o Big Brother, e no final, você diz que ama o BBB e pede voto para uma pessoa “do partido”. No meu caso, a minha torcida, campanha e voto pela permanência da Mayara Medeiros.

Que transformação! Que orgulho engolido! Que aprendizado!

No BBB dos outros sempre é refresco

É estranho. Até poucas semanas atrás eu fazia pouco caso do programa e só tinha feito comentários jocosos e estereotipados sobre as edições e participantes passados.

As excessões eram Grazi Massifera, Sabrina Sato – que souberam fazer uma carreira bem bacana se desvencilhando do estigma de ex-BBB (goste-se ou não do que fazem) e especialmente o Jean Willys, que de “o ganhador gay do 5.o Big Brother Brasil” se transformou num dos melhores – se não o melhor – deputado federal da atual legislatura.

Mas aí uma amiga entra no programa, e além de você passar a torcer por ela, você vê o quão fácil é julgar as pessoas sem o devido contexto, sem o devido conhecimento. O quanto você esqueceu que aqueles personagens apresentados na TV eram pessoas de carne e osso, muito mais complexas e dignas do que você julgava.

Vi muito julgamento banal, conclusões apressadas e estereótipos sendo aplicados à Mayara que não fazem justiça à complexidade dela – e por extensão, passei a acreditar que todo participante BBB é mais complexo que as etiquetas que dão eles: cowboys, modelos, marias chuteiras, galinhões, vadias ou o que quer seja. (Mais ou menos como o Frank Darabont defendendo que todo zumbi extra em The Walking Dead foi um ser humano com uma história e vida própria)

Quem é a Mayara Medeiros que conheço

Mas no meu caso, a coisa é mais grave por eu ter conhecimento de causa: não bastando eu ser amigo dela, a Mayara já colaborou com meu projeto A Vida Secreta em várias oportunidades – aliás, foi hostess da festa de fim de ano que fizemos em parceria com a X-Plastic, produtora de alt porn onde ela trabalha.

Toda vez que encontrei a May, o papo foi ótimo e troquei ótimas idéias. Não importava o lugar ou horário, afinal, Mayara é culta (já organizou instalações e atividades na Bienal de São Paulo), tem alma livre e libertária, uma perspectiva de vida que mescla visão artística com atitude resolvedora típica de produtora. Adora bons filmes e boas músicas (espero que tenha aproveitado bem os mp3 de trilhas sonoras que gravei para ela) .E este tipo de comportamento permeia a vida da pessoa independente do contexto e torna qualquer papo delicioso.

E além disso, ela é o tipo de pessoa que fala o que pensa e defende a liberdade de qualquer um pensar, dizer e ser o que quiser. Se ela não gosta de Cláudia Leitte, por exemplo, defende a liberdade das pessoas gostarem do que quiserem, pois não devem satisfação a ninguém. Se ela não gosta de alguma atitude de uma pessoa, fala na cara – não é dissimulada – como fez com a Jakeline, que saiu do BBB 12 na semana passada.

Votando a favor da May. Votando a favor da cultura, liberdade, diversidade e respeito.

Se por um lado estou com saudades de esbarrar com ela no Baixo Augusta e trocar idéia, por outro, acho que deveria ficar no BBB por mais tempo.

Por quê? Precisamos de mais exemplos de gente que sabe valorizar cultura, liberdade, diversidade e principalmente, respeito ao outro. Valores que defendo lá no A Vida Secreta, no meu trabalho com clientes e parcerias. Valores que defendo na minha vida e que Mayara demonstra lá no BBB 12.

Então, é por isso que já estou indo lá votar ( http://glo.bo/VotoSaiFael ) e digo a quem estiver lendo: vem votar comigo.

#FicaMayara

Mayara Medeiros: culta, autêntica e defensora da liberdade e vale a pena ficar no BBB.

Mayara Medeiros: culta, autêntica e defensora da liberdade. Se depender de mim, ela fica no BBB.

O último a sair dá descarga, apaga a luz e fecha a porta.

Em São Paulo há um jornal gratuito, chamado Destak. Talvez eu esteja muito pessimista, mas a capa da edição de ontem me deixou deprimido. Seguem as manchetes e comentários:

Trânsito de SP vai travar em cinco anos, diz estudo

Considerando que eu gastei 25 minutos num trecho que normalmente levo 5, eu diria que esse colapso acontecerá mais cedo.

Domingos de Oliveira tem filmes prontos à espera de patrocinador.

Seria uma boa notícia, mas demonstra o quanto a cultura está ao “Deus dará”.

Governo quer passageiros indenizados por atrasos

Obviamente o custo das indenizações serão repassados aos preços.

País também vai mal em leitura e matemática

Essa eu não consegui entender pois estava procurando a calculadora para calcular os efeitos da próxima manchete.

Mensalidade sobe até 55%, quase o dobro da inflação

A calculadora mencionada acima me ajudou a calcular quanto vou pagar de faculdade se o aumento continuar em 55% em cinco anos.

Pego no antidoping, ele diz que não pára

A atitude de Romário, semelhante à de Renan Calheiros, serve para confirmar minha tese de que o futebol reflete o que é a cultura de um povo, no caso do Brasil, falta vergonha na cara, como veremos na próxima manchete.

Calheiros renuncia à presidência e escapa outra vez da cassação.

Acho que não preciso comentar sobre Renan Calheiros e sua atitude de Romário despreocupado no Congresso. Com licença, vou jogar no lixo… o jornal, não o país.

‘braços

30 dias para a Alemanha e contando

…se não sais de ti, não chegas a saber quem és … é necessário sair da ilha para ver a ilha…
(José Saramago, O Conto da Ilha Desconhecida)

Se você entrar no meu perfil, verá que está escrito Germanófilo. Aliás, está escrito em português, inglês, e alemão.

Não sei porquê e não sei quando começou essa paixão pela Alemanha.

Talvez tenha sido aquele episódio do desenho Pica-Pau “chamando o Dr. Hans Chucrute“, talvez tenha sido uma propaganda dos motores Kohlback (“coloca o língua no céu da boca e diz: kohhllllllllllback”), talvez a seleção alemã de futebol na Copa de 1986, a bandeira estilosa com aquela águia mal-encarada no meio (agora é sem a águia, que é o brasão de armas do país), o Kraftwerk, Beethoven, Bauhaus (a escola) e a história do design, aquele oba-oba todo sobre a ossada do Dr. Josef Mengele nos anos 1980 ou algo no gênero.

O fato é que sempre tive uma queda pela cultura e história alemã, pelo idioma e pela psicologia do povo alemão. Há muito quero conhecer a Alemanha e em 30 dias, estarei lá, realizando o sonho.

E as pessoas perguntam: por quê Alemanha?

A resposta mais honesta é: Ich weiss nicht! (Eu não sei!)

Já dei diversas respostas para essa pergunta, enumerando N motivos para gostar da Alemanha e provavelmente todas são verdadeiras. A mais freqüente é que acho que são povos muito diferentes, e ultrapassar as diferenças entre as pessoas e povos é um dos assuntos que mais me interessa. Mas só isso não se justifica.

De qualquer forma, pretendo descobrir mais sobre os motivos dessa paixão a partir de 26 de dezembro, quando serei o guia oficial da Ulrike – minha amiga alemã de Frisenheim e escritora do Honeymood – pelas ruas de São Paulo, dos meandros do ser paulistano e das feijoadas com caipirinhas e cerveja gelada da maior cidade brasileira. E na sequência ela será minha guia pelos caminhos da Alemanha, do povo alemão, e também dos vinhos e cervejas alemãs, afinal, além de riqueza cultural, se há algo que estes povos tão diferentes compartilham é o gosto pela boa comida e pela boa bebida.

E podem acreditar que vou brindar cada descoberta, seja gastrônomica, etílica, cultural ou pessoal.

Prost! Saúde!