A violência no entretenimento e o massacre de Aurora

E o massacre em Aurora que resultou em 12 pessoas mortas e 30 feridas numa sessão do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises) (leia aqui) levanta novamente as vozes dizendo que a violência em filmes, games, etc, é responsável por aumentar a violência no mundo.

E, rapidamente, quero deixar meus 2 centavos sobre o assunto: embora eu creia que toda e qualquer forma de comunicação, arte e entretenimento sejam fatores influenciadores no que a sociedade faz ou deixa de fazer, no fim das contas o mundo na cabeça de uma pessoa é mais forte que o mundo fora dela.

Representações da violência sempre fizeram parte da história humana, das artes e do entretenimento por várias razões, mas uma é muito esquecida em casos como este: catarse. E, especialmente, catarse coletiva.

Aconteceu na forma de desenhos em cavernas, em estórias contadas à beira de fogueiras, em teatros de sombra na china, em pinturas na Europa e no Japão antigo, em paredes astecas, egípcias e gregas, no Coliseu, e acontece em grupos de crianças brincando de polícia e ladrão ou com soldados de brinquedos, na TV, no cinema, etc.

É uma ferramenta para mantermos nossa sanidade e civilidade. Liberar os desejos e hábitos primordiais que reprimimos para que continuemos civilizados, de forma controlada e inofensiva.

A exposição contínua e intensa à violência (ou outra coisa) pode nos deixar insensíveis a esta violência, sem dúvida, mas pode-se especular – com um bom grau de razão – que a exposição continua à esta violência a banalizaria e a tornaria menos frequente. Digo isto lembrando que se você pegar pessoas que tem medo de algo – digamos, aranhas – e expor desenhos, brinquedos, filmes, etc, de aranhas a elas o tempo, uma parte vai perder o medo e se desinteressar por aranha, enquanto as outras se borrarão na calça.

Me parece então que o problema é quando psique não consegue fazer isso, não consegue separar uma coisa de outra. Quando a pessoa não tem os mecanismos para refrear sua psique.

O problema principal é dentro, em nossos porões, não fora.

ilustração menina em contraluz na escada de um porão

Violência, Entretenimento e a Psique Humana. (Violência em casa. ilustração de http://www.flickr.com/photos/happyschneiders/3321833107/ )

Palavra da Semana: Resiliência

E a palavra da semana é ‘resiliência‘, definida pela Wikipédia como:

Resiliência ou resilência é um conceito oriundo da física, que se refere à propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. Após a tensão cessar poderá ou não haver uma deformação residual causada pela histerese do material

[…]

Atualmente resiliência é utilizado […] para caracterizar pessoas que têm a capacidade de retornar ao seu equilibrio emocional após sofrer grandes pressões ou estresse, ou seja, são dotadas de habilidades que lhes permitem lidar com problemas sob pressão ou estresse mantendo o equilibrio.

“Vem ni mim”, resiliência. “Vem ni mim”.

A Vida Secreta e o lado B de todos nós

Todos nós temos um Lado B, que, como nos antigos compactos brasileiros ou nos singles estrangeiros, pouca gente conhece, mas normalmente esconde pérolas ou a verdadeira essência do artista, da pessoa. Na indústria musical, muitas vezes é o onde aparece o que é reprimido pelas forças do mercado, pela falta de tempo na gravação e produção, et cetera. Nas pessoas, é onde aparece o que é reprimido pela sociedade, pela família, pelas regras da comunidade, do trabalho, da escola.

Como nossa sociedade é um tanto conservadora e repressora também no que diz respeito a sexo, muitas de nossas características ou desejos não-sexuais reprimidos se manifestam também no sexo. Assim, como já demonstravam os clássicos gregos, Shakespeare, Freud e Nelson Rodrigues, o sexo deixa de ser apenas a busca pelo prazer e se torna uma forma de manifestar o que reprimimos, nosso Lado B, e a vida sexual se torna nossa vida secreta.

Tempos atrás, conheci o blog Me and My Secret Life – Not Authorized Biography, onde a B. falava de sua vida secreta. O blog foi crescendo, muita gente passou a se identificar com os textos ou pedir ajuda e, de certa forma, passou a ser uma comunidade. Foi então que B. decidiu que era hora de deixar de ser apenas um blog onde ela contava as peripécias sexuais dela e passar a dar dicas práticas, ajudar as pessoas a lidarem com seu lado B e repensar o comportamento da sociedade em relação ao sexo. Deixou de ser apenas A Vida Secreta dela e passou a ser a biografia não-autorizada de todos nós.

O site ainda está em versão experimental e em testes, mas já é um prato cheio. Leia e mostre seu lado B também: www.avidasecreta.com.br

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