A Verdade é um S/A e você é só mais um acionista

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Você não é dono da verdade, eu não sou dono da verdade, ninguém é. Ela é uma sociedade anônima e você, eu e todos somos apenas pequenos acionistas.

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Derrubando o perigoso “Quem não deve, não teme”

Olho através do buraco de uma fechadura

Derrubando o perigoso “Quem não deve, não teme”, pois privacidade e um direito fundamental humano.

Esta é uma tradução livre feita por mim para o artigo de Richard Falkvinge, fundador do Partido Pirata da Suécia e ativista de liberdades civis, especialmente relacionadas à tecnologia e privacidade.

O artigo é ótimo para fazer pensar e critica o argumento do “Quem não deve, não teme”, tão proclamado pelos auto-proclamados “homens de bem”. Com excessão de uma expressão no último parágrafo – que não é essencial e não consegui encontrar bons equivalente em português – o texto é bem fiel ao texto original, que você pode ler, em inglês em http://bit.ly/OJDsu2 .

Assim como o texto original, esta tradução é completamente livre para ser baixada, copiada e distribuída.

Leia, pense, e divulgue.

Derrubando o perigoso “Quem não deve, não teme”

Frequentemente você ouve o argumento “Quem não deve, não teme” para justificar aumento na vigilância invasiva. Este argumento não só é perigoso, como é desonesto e covarde também. No post sobre o registro de DNA na Suécia [nota do tradutor: este post, em inglês, sobre o mapeamento do DNA da população pelo governo Sueco], algumas usaram o argumento “Quem não deve” – de que a eficiência da polícia poderia ser sempre um fator mais importante na criação de qualquer sociedade. Esta é uma forma de pensar muito perigosa. O argumento é frequentemente usado em debates daqueles pró-vigilância e ela é perigosa, covarde e desonesta.

Existem pelo menos 4 boas razões para discordar deste argumento de forma sólida e intransigente: as regras podem mudar, não é você que determina se você é ocupada, leis devem ser quebradas para o progresso da sociedade e privacidade é uma necessidade básica humana.

Vamos analisá-las em detalhes. Elas vão das menos importante e óbvias, para as menos óbvias e mais importantes.

Um – A regras podem mudar: uma vez que a vigilância invasiva é colocada em prática para garantir as regras que você concorda, o grupo de regras a serem garantidas podem mudar para formas que você não concorda nada – mas então, é muito tarde para protestar contra a vigilância. Por exemplo, você pode concordar com câmeras em cada casa para evitar violência doméstica (“e somente violência doméstica”) – mas no dia seguinte, uma nova força política no poder decide que a homossexualidade deve novamente ser ilegal, e eles vão usar as câmeras existentes para garantir as novas regras. Qualquer vigilância deve ser analisada levando em conta as formas com que um governo pior que o hoje pode usar para abusar delas.

Dois – Não é você que determinada se você tem algo a temer: você pode se considerar um homem de bem e seguidor de lei ficha branca, mas não importa nada. O que importa é se seu comportamento levanta alarmes da vigilância praticamente automática, onde burocratas analisam sua vida em detalhes microscópicos através de uma luneta de papel para procurar padrões. Quando você para seu carro na principal rua de prostituição por duas horas toda sexta de noite, os serviços de vigilância vão tirar conclusões a partir dos dados, e não vão se preocupar com o fato de você ajudar sua avó idosa – que vive ali perto – com as compras da semana. Quando você para num bar fora do caminhoa casa-trabalho com frequência, o DETRAN vai tirar certas conclusões sobre você estar apto ou não para renovar a carteira de motorista – independente do fato de você achar que o bar serve a melhor coxinha da cidade e nunca ter bebido uma cerveja ali. Pessoas vão parar de pensar em termos do que é legal, e agir numa auto-censura para evitarem chamar atenção, por pura auto-preservação. (Não importa se alguém correto for eventualmente inocentado – depois de ser investigado por seis meses, você vai ter perdido a custódia de seus filhos, seu trabalho,e possivelmente sua casa.)

Dois e meio – O ponto dois assume que a vigilância em si tem os dados corretos, o que vem sendo provado frequentemente que não tem.

Três – leis devem ser quebradas para o progresso da sociedade: a sociedade que pode garantir todas as suas leis morre. A forma de pensar “agrupar criminosos é bom para a sociedade” é muito perigosa, pois, num piscar de olhos, podemos descobrir que os criminosos são os que estão na correção moral. Menos de uma vida atrás, se você tivesse nascido homossexual, você era um criminoso de nascença. Se o nível de vigilância de hoje existisse nos anos 1950s e 1960s, o lobby de grupos organizados pela igualdade sexual nunca teriam sido formados; teria sido apenas uma questão de juntar as organizações criminosas (“e quem poderia se recusar a combater o crime organizado?”). Se o nível de vigilância de hoje existisse nos anos 1950s e 1960s, a homossexualidade ainda seria ilegal e pessoas homossexuais seriam criminosos por nascença. É absolutamente necessário ser possível quebrar leis injustas, para a sociedade progredir e questionar seus próprios valores, a fim de aprender a partir de erros e avançar como sociedade.

Quatro – Privacidade é uma necessidade básica humana: dizer que apenas pessoas desonestas têm necessidade de privacidade ignora uma características básica da psique humana, e passa uma mensagem muito desconfortável. Nós temos uma necessidade fundamental por privacidade. Eu fecho a porta quando vou ao banheiro masculino, apesar do fato de nada secreto acontecer lá: eu apenas quero fazer aquilo sossegado, eu tenho uma necessidade de fazer sozinho, and qualquer sociedade deve respeitar a necessidade fundamental por privacidade. Em qualquer sociedade que não respeitou, os cidadãos responderam com subterfúgios e criaram suas próprias áreas privadas fora do alcance da vigilância governamental, não por quê eram criminoso, mas por ser uma necessidade fundamental humana.

Finalmente, que se note que este argumento é comumente usado pelas próprias autoridades para promover vigilância e censura, enquanto rejeitam transparência e liberdade de expressão.

Da próxima vez que você ouvir alguém dizer “Quem não deve, não teme“, diga que isto é um argumento absolutamente falso e perigoso, e mostre a eles este artigo.

Rick é fundador do primeiro Partido Pirata e politizador, viajando a Europa e o mundo para falar e escrever sobre idéias de políticas sobre informações importantes. Ele tem um histórico em empreendimentos de tecnologia e ama whisky.

Site oficial: http://falkvinge.net/
Perfil no twitter: http://twitter.com/Falkvinge

Post-It: Estágio para atendimento na Tribal

  • Quer estagiar numa agência de comunicação online muito conceituada (a TCorp – Interactive Agency, também conhecida como Tribal), no atendimento a uma conta internacional?
  • Tem inglês fluente? Fluente messsssssssmo?
  • É estudante de comunicação (publicidade, propaganda, design ou áreas afins) ?

Então envie um e-mail para patricia.moreira@tcorp.com.br com seu currículo e portifólio e boa sorte para conseguir o estágio.

Não esqueça de mencionar à Patrícia que chegou até ela através do blog que eu vou cobrar dela um jantar no restaurante do Hotel Unique se ela arranjar alguém batuta, e logo, através do Post-Its.

Estadão contra os blogs. Os dinossauros se incomodam.

Ainda não me manifestei sobre a campanha estúpida do Estadão contra o blogs. Muita gente já falou o que eu poderia falar, mas, tentando ser sucinto, estou com o Gilberto Alves Jr., da Práctica, e não abro:

Estadão, irresponsável, faz campanha contra os blogs

Qual será a preocupação do Estadão para lançar uma ofensiva contra os blogs? O blog da minha sobrinha? Os miguxos? É óbvio que a preocupação é com a concorrência forte dos blogs de conteúdo, especializados, que geralmente têm conteúdo melhor e mais rápido do que qualquer site de jornal.

E na minha opinião, são irresponsáveis também a agência e os publicitários que criaram a campanha. Se Adolf Hitler encomendasse uma campanha, pelo jeito, pagando bem, eles fariam.

E para finalizar, e economizar redundância aqui, leiam o post Estadão e blogs: Grande mídia e liberdade de comunicação, no Panóptico. Também batendo, e muito bem, nos Dinossauros.

‘braços

Excelência nos negócios – O “core business” da Kebab Salonu e Confeitaria Monte Líbano

Se você abrir revistas ou livros, ou pagar absurdos por algumas palestras sobre administração, negócios e marketing, encontrará, entre os vários “mandamentos sagrados”, alguma regra sobre valorizar a relação com o consumidor e atenção ao core business ou ainda como a excelência no atendimento ou na execução do seu serviço e qualidade do produto (valorizar o seu cliente é o caminho dourado para o sucesso).

Eu concordo com essa posição, mas prefiro ficar com uma frase singela de Fernand Alphen, diretor de Branding, Planejamento e Pesquisa da F/Nazca S&S:

“Uma padaria fabrica pão, não dinheiro.”

Muito mais simples, eficiente e profunda do que essa prosopopéia tão comum em material de administração, escrita por gurus de auto-ajuda corporativa com salários ou cachês hiperinflacionados por conta da mediocridade, falta de coragem e atenção que toma conta da maioria dos ambientes de negócios.

E para ilustrar bem o quanto essa frase é verdadeira, sugiro visitar 2 lugares em São Paulo: Confeitaria Monte Líbano e o restaurante Kebab Salonu. Ambas aplicam conceitos elementares de marketing, e principalmente de negócios, que a maioria das empresas esquecem. Inclusive o mais elementar: números numa planilha não são responsáveis pela compra de um produto ou serviço e sim SERES HUMANOS. (*)

Confeitaria Monte Líbano ou Esfiharia do “Seu Elias”

O primeiro é uma pequena esfiharia na Rua Vergueiro, 2229 (em frente ao terminal de ônibus em cima da estação Ana Rosa do Metrô – linha azul) e serve para mostrar que não é preciso investir muito em visual, em design para prestar um bom serviço. Afinal, nenhuma boa publicidade ou embalagem sustenta um produto ou serviço ruim – uma moldura bonita não salva um quadro feio.

O lugar não é bonito, é pequeno, parece uma mistura de bar e mercearia, tem um perfil popular, mas tem a melhor esfiha dessa cidade. Infelizmente, bateu até as famosas esfihas da minha mãe. Quentinha, massa delicada, recheio na medida certa e sabor suave. A simpatia do Sr. Elias e das outras pessoas que lá estão apenas reforçam a ligação com os fiéis fregueses.

Vá com muita fome, experimente de todos dos poucos, mas deliciosos, sabores de esfiha (Zaatar, Escarola, Carne, Palmito e a divina de Queijo), coma alguns doces árabes como sobremesa e finalize com um cafézinho. O gosto bom vai persistir por um bom tempo na sua boca e memória!

Kebab Salonu

Já o Kebab Salonu – na Rua Augusta, 1416, próximo ao Espaço Unibanco de Cinema – une a boa comida e excelente atendimento a um ambiente agradabilíssimo: da arquitetura e programação visual à boa música, tudo convida a passar bons momentos, bem acompanhado. Seus Kebabs (espécie de sanduíche do oriente médio) contemplam sabores e culinárias de todo o oriente médio: Da Síria à Índia, do Iraque à Israel e são feitos com muito esmero e servidos por uma equipe extremamente gentil.

De fora, parece um restaurante fast-food, mas não se engane, o perfil do público-alvo é aquele que preza por qualidade, mas não quer ser abusado no preço. Vá preparado para provar algumas entradas (maravilhosas) enquanto aguarda os 20/25 minutos de tempo médio para preparo do Kebab. Finalize com um cafézinho, seja o com Arak ou mesmo o cafezinho simples. Você vai querer voltar em muito, muito breve.

No fim das contas?

No fim das contas você pagou um preço justo, por um serviço ou produto bom, se tornou fiel e um multiplicador da marca. E para tudo isso, o empresário do outro lado só precisou fazer bem a lição de casa. No caso do Kebab Salonu, a casa optou por correr o risco de perder clientes em nome da fidelidade à seu conceito e à manutenção de um bom ambiente: é terminantemente proibido fumar no estabelecimento.

Como profissional de comunicação e design adepto da escola funcional, quem me dá lição é o consumidor. Não adianta ser bonito e descolado, se você não cumpre bem a sua função.

Visite, pense, aprenda e faça da sua padaria a melhor fábrica de pão.

‘braços

(*) = Negrito e caixa alta, na esperança de que as operadores de telefonia e empresas de e-commerce prestem atenção.

Artigo também publicado no site Outrolado, clique aqui para ler.