Excelência nos negócios – O “core business” da Kebab Salonu e Confeitaria Monte Líbano

Se você abrir revistas ou livros, ou pagar absurdos por algumas palestras sobre administração, negócios e marketing, encontrará, entre os vários “mandamentos sagrados”, alguma regra sobre valorizar a relação com o consumidor e atenção ao core business ou ainda como a excelência no atendimento ou na execução do seu serviço e qualidade do produto (valorizar o seu cliente é o caminho dourado para o sucesso).

Eu concordo com essa posição, mas prefiro ficar com uma frase singela de Fernand Alphen, diretor de Branding, Planejamento e Pesquisa da F/Nazca S&S:

“Uma padaria fabrica pão, não dinheiro.”

Muito mais simples, eficiente e profunda do que essa prosopopéia tão comum em material de administração, escrita por gurus de auto-ajuda corporativa com salários ou cachês hiperinflacionados por conta da mediocridade, falta de coragem e atenção que toma conta da maioria dos ambientes de negócios.

E para ilustrar bem o quanto essa frase é verdadeira, sugiro visitar 2 lugares em São Paulo: Confeitaria Monte Líbano e o restaurante Kebab Salonu. Ambas aplicam conceitos elementares de marketing, e principalmente de negócios, que a maioria das empresas esquecem. Inclusive o mais elementar: números numa planilha não são responsáveis pela compra de um produto ou serviço e sim SERES HUMANOS. (*)

Confeitaria Monte Líbano ou Esfiharia do “Seu Elias”

O primeiro é uma pequena esfiharia na Rua Vergueiro, 2229 (em frente ao terminal de ônibus em cima da estação Ana Rosa do Metrô – linha azul) e serve para mostrar que não é preciso investir muito em visual, em design para prestar um bom serviço. Afinal, nenhuma boa publicidade ou embalagem sustenta um produto ou serviço ruim – uma moldura bonita não salva um quadro feio.

O lugar não é bonito, é pequeno, parece uma mistura de bar e mercearia, tem um perfil popular, mas tem a melhor esfiha dessa cidade. Infelizmente, bateu até as famosas esfihas da minha mãe. Quentinha, massa delicada, recheio na medida certa e sabor suave. A simpatia do Sr. Elias e das outras pessoas que lá estão apenas reforçam a ligação com os fiéis fregueses.

Vá com muita fome, experimente de todos dos poucos, mas deliciosos, sabores de esfiha (Zaatar, Escarola, Carne, Palmito e a divina de Queijo), coma alguns doces árabes como sobremesa e finalize com um cafézinho. O gosto bom vai persistir por um bom tempo na sua boca e memória!

Kebab Salonu

Já o Kebab Salonu – na Rua Augusta, 1416, próximo ao Espaço Unibanco de Cinema – une a boa comida e excelente atendimento a um ambiente agradabilíssimo: da arquitetura e programação visual à boa música, tudo convida a passar bons momentos, bem acompanhado. Seus Kebabs (espécie de sanduíche do oriente médio) contemplam sabores e culinárias de todo o oriente médio: Da Síria à Índia, do Iraque à Israel e são feitos com muito esmero e servidos por uma equipe extremamente gentil.

De fora, parece um restaurante fast-food, mas não se engane, o perfil do público-alvo é aquele que preza por qualidade, mas não quer ser abusado no preço. Vá preparado para provar algumas entradas (maravilhosas) enquanto aguarda os 20/25 minutos de tempo médio para preparo do Kebab. Finalize com um cafézinho, seja o com Arak ou mesmo o cafezinho simples. Você vai querer voltar em muito, muito breve.

No fim das contas?

No fim das contas você pagou um preço justo, por um serviço ou produto bom, se tornou fiel e um multiplicador da marca. E para tudo isso, o empresário do outro lado só precisou fazer bem a lição de casa. No caso do Kebab Salonu, a casa optou por correr o risco de perder clientes em nome da fidelidade à seu conceito e à manutenção de um bom ambiente: é terminantemente proibido fumar no estabelecimento.

Como profissional de comunicação e design adepto da escola funcional, quem me dá lição é o consumidor. Não adianta ser bonito e descolado, se você não cumpre bem a sua função.

Visite, pense, aprenda e faça da sua padaria a melhor fábrica de pão.

‘braços

(*) = Negrito e caixa alta, na esperança de que as operadores de telefonia e empresas de e-commerce prestem atenção.

Artigo também publicado no site Outrolado, clique aqui para ler.

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