Sobre monstros, anjos, pregadores e inquisidores.

Esse post é meio que uma resposta a um e-mail que recebi e também para continuar e finalizar o que comecei no post Os monstros e anjos invisíveis, quando aparecem , pois não discuto mais esse assunto no blog. Quero perder menos tempo com retórica e focar mais em ações.

Perguntas para se fazer antes de apontar o dedo:

  • Já morou na favela? Aliás, já passeou por uma?
  • Já viu como crescem filhos numa família que já vem de outras gerações sem valores?
  • Já cuidou de carro e foi acusado de quebrar algo num carro que já chegou com aquilo quebrado?
  • Já precisou pedir dinheiro de transporte para voltar de uma entrevista de trabalho e as pessoas te olham como se você estivesse prestes à roubá-la?
  • Já passou vontade por ter uma coisa, com todo mundo pregando que aquilo que é legal, que te dá sucesso?
  • Já enfiou o pé na jaca, errou, cagou mesmo e teve uma segunda – e terceira – chance sincera?
  • Já foi voluntária em alguma ação social para ver o que as pessoas que precisam realmente precisam?
  • Quem você acha que financia o tráfico e a violência? Quem não tem dinheiro?

E sim, eu quero punição para os assassinos do João Hélio. Mas eu quero menos hipocrisia na sociedade, mais acesso a oportunidades e educação de verdade – inclusive de berço, para todos.

Quero que as pessoas separem culpa de responsabilidade e assumam sua parte nesta última.

E, principalmente, que as pessoas sejam capaz de enxergar melhor umas às outras, sem preconceito, de qualquer lado.

“Os homens são todos iguais[…] aquilo que une é o que separa”
(Titãs, Os Homens São Todos Iguais)

[atualizado em 14 de fevereiro de 2007 às 16h08]

Os homens são todos iguais, mas é diferente ser negra, adolescente e com baixa escolaridade. Como ensinar respeito à vida e à sociedade se essa “molecada” é desrespeitada desde antes de nascer. Visite um hospital público, principalmente na periferia ou leia lá no Estadão:

Negras e adolescentes são as que mais peregrinam para dar à luz

Pesquisa mostra que, no Rio, um terço dessas gestantes não consegue atendimento na primeira tentativa
Emilio Sant’Anna

A morte de Joana Gomes de Almeida, de 17 anos, há 15 dias, é um exemplo do que os pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já haviam constatado. Grávida de nove meses, a jovem e seu filho morreram na sala de parto do Hospital do Andaraí, zona norte do Rio, após procurar atendimento em outros quatro hospitais. Joana se enquadrava no perfil das gestantes que mais sofrem para conseguir vaga nas maternidades da cidade: negra, adolescente e com baixa escolaridade.

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2 respostas em “Sobre monstros, anjos, pregadores e inquisidores.

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