Respostas a “Sem outdoores, sem mídia externa, sem poluição visual”.

Recebi alguns e-mails fazendo referência ao post anterior “Sem outdoores, sem mídia externa, sem poluição visual“.

Alguns deles concordando, outros discordando.

Como os que discordavam apresentavam mais ou menos o mesmo teor e solicitaram não publicar o e-mail, estou respondendo genericamente aqui, baseado nas respostas que dei via e-mail.

E continua o pedido e convite para publicação das mensagens e comentários aqui, para estimular o debate democrático, apontar erros e principalmente soluções. Tá muito chato só ver publicado comentários de apoio.

Vamos deixar bem claro que isso é uma opinião pessoal, que apesar de ter havido uma nota sobre algo que escrevi ao Blue Bus, este último não publicou nenhuma palavra do que estava aqui nesse blog e não tem nenhuma relação com a minha opinião ou comigo, além da relação leitor-veículo. Ou seja, além de não ter feito nenhum comentário negativo lá no BB, o que é publicado aqui é responsabilidade minha apenas.
Aliás, apesar de minha opinião contra, eu coloquei nos updates vários links para terem uma visão maior do assunto todo e fomentar a discussão e defesas de pontos de vista divergentes.

Sem dúvida sou parcial na minha opinião. Não acredito que alguém seja 100% imparcial e essa minha birra com mídia exterior vem de muito tempo atrás. Desde a época que eu era apenas consumidor e não trabalhava com comunicação, nem sonhava com isso. Sempre pautei meu trabalho com comunicação pelas minhas crenças, necessidades, direitos e deveres como consumidor e cidadão.

Esse é um ponto importante. Todas as escolhas que fiz na vida profissional foram baseadas na minha ética pessoal. Por sorte, trabalhei em lugares que deram apoio às minhas convicções. Infelizmente a maioria das pessoas não tem esse benefício na labuta diária, na busca pelo pão de cada dia. Mas não podemos negar que uma parte das pessoas simplesmente deixam passar algumas coisas importantes por alienação, inocência ou covardia – digo isso por que já vi, e me vi também em todas essas situações. E nem sempre agi corretamente, confesso.

Sobre o papel da prefeitura, das empresas de mídia e o cumprimento de leis já existentes eu gostaria que lessem a nota no link www.eagora.com.br/ler.php?idnew=42304 , que já havia deixado abaixo e aqui reproduzo em parte:

“SEPEX Divulga Comunicado Sobre Termo de Compromisso
23/01/2006 – 10:00

Sindicato publica compromisso assumido com a Prefeitura e cita empresas que assinaram o termo de compromisso para retirar publicidade em desacordo com a Lei”

Não haver fiscalização não é motivo para se burlar a lei. Se as placas estavam irregulares, alguém as colocou ciente de que estavam irregulares, não é? Já não sou tão idealista ou tão inocente a ponto de acreditar que resolva-se tudo dentro da regularidade. Principalmente num país com leis sob encomenda como o nosso Brasil. Aliás, se lerem outros posts meus, verão que sou a favor de desobediência civil em muitos casos e não vou ficar exigindo regularidade em relação ao poder instituído, mas um pouco de parcimônia e respeito ao comunitário pode fazer a diferença para melhor.

Ressalto que algo que me incomodou e incomoda muito é a parcialidade ou despreocupação de setores profissionais diversos. Sejam os trabalhadores de publicidade, de mídia, bancários, metroviários, etc. . Ninguém se preocupa – ou não aparenta se preocupar, com outros setores, na hora de poluir, fazer greve, etc. Aprovo mobilizações, aprovo esse ímpeto, mas acho que é preciso pensar um pouco no que nossas ações cotidianas influem na vida de milhares de outras pessoas.

Novamente, se lerem outros posts, muitos deles com links no artigo abaixo, verão que esses incômodos fazem parte de um incômodo maior com nossa cultura e ética em geral, como um povo que pretende-se nação.

Agora que alguns calos foram pisados, em vários e diferentes pés, talvez consigamos conversar, debater e trabalharmos juntos. Dividirmos um pouco da brasa para o vizinho aquecer a sardinha dele. Se sempre usarmos a desculpa de que “é preciso lutar pelo próprio pão”, vai ficar difícil haver pão para todo mundo.

Relembrando uma propaganda, não lembro de qual anunciante: “Se todo mundo quiser levar vantagem em tudo, o Brasil não vai levar vantagem em nada.”

Encerro esse post aqui, mas a polêmica certamente continua e o debate também. Quem quiser discordar ou concordar, o espaço está aberto. Basta ser educado e respeitoso, o que aliás, todo mundo que escreveu até agora foi.

‘braços

PS: Para ilustrar, não poderia deixar de colocar novamente o link para este texto da Angela no Blue Bus. E a reprodução deste também, de novo.
Celso Bessa
go = Nouvelle Vague: The Guns of Brixton e O Rappa: Tumulto

—————-

[atualizado em 06/09/2006 às 10h40]

Publiquei nos comentários um e-mail que o Roberto Meira enviou. Obrigado pela colaboração

—————–

4 respostas em “Respostas a “Sem outdoores, sem mídia externa, sem poluição visual”.

  1. Roberto Meira enviou um e-mail ontem, com o conteúdo abaixo. Primeiro pediu para não publicar, mas após me comprometer a publicá-lo sem editar, autorizou a publicação.

    Só para constar, recebi outros 2 e-mails discordando com o teor muito semelhante e que me motivaram a escrever esse segundo post.

    Muito obrigado pela participação Roberto
    —————————————–

    De: roberto meira Enviado por: gmail.com
    Para: celsobessa@gmail.com
    Data: 05/09/2006 16:07
    Assunto: sua nota no BB

    Sua nota no BB e parcial e da forma como você coloca é extremamente previsível o resultado. Alem disso vc leva em consideração um fato isolado para disseminar pensamentos negativos nos leitores.

    Cada cabeça uma sentença, mas isso e deslealdade com uma enorme quantidade de pessoas que trabalham e vivem do setor. As coisas como estão colocadas não retratam , nem de perto a realidade do setor.

    São Paulo tem uma lei, em vigor,que regulamenta a mídia e qualquer ação de publicidade em fachadas, topos, paredes e demais possibilidades de mídia exterior. A PMSP , que recebe uma taxa de publicidade para fiscalizar a própria publicidade , não fiscaliza e , piorando a questão, pede um prazo para análise, não o cumpre e , pelo não pronunciamento considera-se como legal, portanto de direito a colocação ou fixação da peça.

    Durante 2 anos deixou-se frouxa a fiscalização que findou por uma enorme quantidade de peças ilegais. Quando assumiu a PMSP , o prefeito serra, por razões que somente alguns poucos conhecem ,mas fazendo a cortina de fumaça da defesa da cidade e do cidadão começou a ligar para empresas e exacerbou o caso da mídia exterior. O SEPEX entrou em ação e imediatamente as peças foram retiradas os afiliados e não afilados em sua maioria acataram as determinações quanto ao cumprimento da lei, afrouxada pela própria PMSP.

    Da forma como estão colocando, toda a incompetência da PMSP recai sobre o setor . Seria mais ou menos como o estado, por não conseguir reduzir a pobreza, extermina os pobres.

    Especula-se que a cidade será leiloada em 4 áreas, com 4 grandes empresas de capital internacional capitaneadas por uma espanhola(como o PSDB gosta da espanha!!Viva o Rei!!)

    Com isso concentra-se o poder nas mãos de poucos, internacionaliza-se tudo e dane-se toda a cadeia que faz parte deste negócio e tudo isso de afogadilho.

    Enfim, usa-se o estado, mais uma vez em beneficio de poucos e coincidentemente os de sempre.

    Quanto as arvores. A PMSP tem viaturas de fiscalização e a PM de SP logo aboradaria um carro ou caminhao cortando arvores. Portanto, como nada aconteceu, creio que um caminhao com enormes adesivos da PMSP nas laterais tenha, ou a pedido do predio , da regional ou do painel, feito o serviço. Não creio, ate porque o conheço, que o dono do painel tenha pedido para fazer isso e se pediu desacredito que tenha feito em centimetros para fazer da ficar escancarado da forma como ficou, portanto o argumento é fragil.

  2. Nem sei se já foi motivo de discussão aqui no seu blog, mas uma outra coisa que atrapalha a vida de muitos brasileiros são as filas nos bancos.
    Ontem no meu horário de almoço fiquei 47 minutos em pé numa fila da Agencia do Banco Bradesco da Av. Paes de Barros – Mooca, por ignorância e/ou desinformação da minha parte, não sabia que a Lei tinha sido abolida, informação essa que obtive com a gerente junto a um sorrisinho sarcástico…

    E esse problema vem atingindo todas as classes
    sociais, há muito tempo e agora com a recentíssima venda do Bank Boston p/ o Itaú (Personnalité), os clientes 5 estrelas que antes tinham tratamento diferenciado nas Agencias do BkBoston, estarão enfrentando fila junto aos Office-boys no Itauzão da vida…
    rs
    Quem sabe agora essa lei volta!

  3. Pingback: Sobre amizades, parcerias, ética, moral, valores e escolhas « Celso Bessa Post-its

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s