Minha retrospectiva 2008 musical

Português (english version below)

Para não dizer que não faço listinhas e para publicar algo enquanto não tomo vergonha na cara e publico um texto bão.

Meu 2008 musical (as bandas e artistas que mais ouvi) em 25 linhas 26 linhas e ordem alfabética:

  • 28 Days Later Soundtrack
  • Asian Dub Foundation
  • Chemical Brothers
  • David Bowie
  • Faith no More
  • Front 242
  • Gerador Zero
  • Juno Reactor
  • Kraftwerk
  • KMFDM
  • Massive Attack
  • Nação Zumbi
  • Nativity in Black – A Tribute to Black Sabbath
  • Nina Simone
  • Nine Inch Nails
  • O Rappa
  • Pearl Jam
  • Pink Floyd
  • Radiohead
  • Rush
  • Santogold
  • System of a Down
  • The Beach Soundtrack (Trilha Sonora de A Praia)
  • The Need for Speed – Underground 2 Soundtrack
  • Tim Maia
  • TV on the Radio

E claro: Blip.fm na veia.

English (versão em português acima)

My 2008 Music Retrospective (the most played bands and artists) using 25 lines 26 lines, in alphabetical order:

  • 28 Days Later Soundtrack
  • Asian Dub Foundation
  • Chemical Brothers
  • David Bowie
  • Faith no More
  • Front 242
  • Gerador Zero
  • Juno Reactor
  • Kraftwerk
  • KMFDM
  • Massive Attack
  • Nação Zumbi
  • Nativity in Black – A Tribute to Black Sabbath
  • Nina Simone
  • Nine Inch Nails
  • O Rappa
  • Pearl Jam
  • Pink Floyd
  • Radiohead
  • Rush
  • Santogold
  • System of a Down
  • The Beach Soundtrack
  • The Need for Speed – Underground 2 Soundtrack
  • Tim Maia
  • TV on the Radio

And of course: Blip.fm .

Os monstros e anjos invisíveis, quando aparecem.

Então hoje eu finalmente consegui comentar com alguém sobre os últimos casos de violência dignos de nota na mídia e as reações sobre o assunto.

Acho que chegamos ao fundo do poço há muito tempo e continuamos a escavar, a escavar, a escavar e a maior parte das pessoas só se deu conta disso quando o problema bateu à porta.

Agora, todo mundo tem solução, tem opinião. Alguns defendem mais rigidez ou pena de morte enquanto outros defendem educação como solução. Alguns apontam santos, outros pecadores, uns fazem o papel de anjos e outros de monstros.

Não tenho uma solução pronta para oferecer a ninguém, mas algo que tenho certeza é que precisamos voltar a ver. Ver a pessoa que está ao nosso lado, o que está no carro, o que está do outro lado da rua, na outra mesa, no outro prédio, no outro bairro ou no outro lado Marginal, ver que – como bem escreveu Manuel Bandeira – “o bicho, meu Deus, era um homem.

Ver, ENXEGAR e compreender é o ideal, mas, já é um bom começo apenas ver.

Se as pessoas que passam na Marginal Pinheiros em direção à Vila Olímpia virem a favela perto do Ceasa e da Ponte do Jaguaré já um bom começo, se as pessoas que passam de trem de Osasco para a Vila Olímpia enxergarem a favela ao lado da linha também.

Aliás, se derem sorte como eu dei ontem – de o trem estar com problemas e lento, verá a favela num travelling digno de Kurosawa e riquíssimo em detalhes: ali existem pessoas como existem nas mansões dos Jardins e nos prédios comerciais da Vila Olímpia, ali tem trabalhador e tem malandro, tem gente tentando construir uma casa decente em meio a barracos amontoados, tem criança brincando na beira do córrego e próxima de contrair Leptospirose. Verá que há uma criança andando com um olhar cansado e um caderno embaixo do braço, um adolescente com um tênis Nike original caríssimo em frente um lugar discreto (e suspeito), um garoto e sua irmã menor dando tchau para as pessoas no trem (como eu fazia na infância no interior de São Paulo), uma mulher lavando roupa para de pelo menos 5 pessoas, verá um birosca, verá gente, verá anjos e verá monstros também.

O importante é ver.

Você pode até dizer: “Eles também precisam nos enxergar, nos ver, nos entender”. E eu vou responder que concordo, ao menos em partes.

Realmente precisamos todos nos ver, enxegar e entender, mas eles já te veêm há um bom tempo: dentro do carro, na novela, nos filmes, no comercial da TV deles, nas páginas de revistas, nos anúncios que mostram uma vida de sucesso. Eles já nos viram e acenaram por um bom tempo e não fizemos o menor esforço para dizer “olá”. Fingimos que não vimos.

Como não foram vistos, agora gritam. E não dá mais para ignorar.

“Quando o monstro vem chegando e ameaçando o seu lar:
‘ parado aí no mesmo lugar. Se não, se correr, eu atiro!’
Tumulto, corra que o tumulto está formado.
Vem cá, vem ver. Vem cá, vem ver.
Que dentro do tumulto pode estar você.”

(Tumulto, O rappa. De 1995)

A violência real e a violência com glamour (e a Uma Thurman)

Acabei de comentar por e-mail o seguinte texto do Blue Bus:

Brasil | O garoto na capa da Veja já é coisa do passado, sabe da ultima? 08:30 Bom dia. A dona de casa Silene Mena dos Santos, 25, morreu ao ser esfaqueada por uma adolescente de 17, no Parque Oziel, periferia de Campinas, SP, na noite do sábado. Segundo testemunhas, a garota se aborreceu com o pedido da vizinha para que abaixasse o volume da música, que poderia acordar seu filho recém-nascido. 12/02 Julio Hungria

E meu comentário, reproduzo abaixo.

——-

Sempre digo (e escrevo) que acredito em duas coisas para se transformar o mundo:

Acho que nesse momento teremos um novelo de idéias, de opiniões, etc. Se puxarmos o novelo em busca da ponta, vamos encontrar a culpa pela omissão ou alienação de todos e cada um em algum momento e temos que retomar nossa responsabilidadeque é bem diferente de culpa.

Acho que passa por assuntos pesados e pontuais, mas passa por assuntos pequenos e contidianos, como bem disse a Ângela Marsiaj, no Blue Bus, tempos atrás:

Melhor exigir que alguém conserte Brasília. Você só nao sabe quem.

E não posso deixar de lembrar a música d’O Rappa, Tumulto, de 1995 (sim, 12 anos trás).

Tumulto
O Rappa

Composição: (marcelo Yuka, O Rappa)

eu sempre penso duas vezes antes de entrar
mas tem certos momentos
que atingem o inconsciente popular

tumulto corra que o tumulto está formado
vem cá, vem vê, vem cá, vem vê
que dentro do tumulto pode estar você

panela batendo, toca fogo no pneu,
põe barricada
velhos, senhoras e crianças
a mulecada pula debocha e dá risada
parece brincadeira, mas não é
a comunidade não aguenta mais tanto tempo
tanto tempo sem água

tudo bem ele era o bicho,
mas saiu daqui inteiro
e até chegar no hospital
ganhou três tiros no peito
e a galera daqui fez igual
fizeram em Vigário Geral
todo mundo pra rua aumentar o som
pra causar algum tipo de repercussão

quando o monstro vem chegando
chegando, chegando
e ameaçando invadir o seu lar

E para tentar animar um pouco o clima, que tal ver a Uma Thurman reprisando o papel d’A Noiva em Kill Bil… ops, quero dizer, no Point Zero, o mais novo Pirelli Film? Só assim para achar a violência bonita

Então vai lá: www.pirellifilm.com/thefilm/viewTheFilm.jsp