Post-It: Humilde e pobre não são sinônimos

Eu gosto muito dos textos do Marinho no Blue Bus. O de hoje toca num ponto que sempre comento e discuto com muita gente: o quanto as pesquisas e idéias do mundo publicitário estão longe da nossa realidade.

Citando a PNAD, divulgada pelo IBGE na semana passada, Marinho tece alguns comentários muito interessantes. Reproduzo um trecho abaixo:

Marinho | Pesquisa do IBGE revela q brasileiros humildes movem o país

O grande mérito da PNAD é mostrar aos brasileiros a verdadeira cara do Brasil. Por incrível que pareça, no mundo das agências de publicidade e em muitos departamentos de marketing de empresas importantes, nao é difícil achar quem se surpreenda diante da informaçao de que o salário médio mensal dos 10% mais ricos do país em 2006 estava na casa dos R$ 4 mil. E que cabe aos milhoes de brasileiros humildes, que batalham todo dia para manter o emprego (ou encontrar um novo), que comemoram cada conquista e dependem do carnê para concretizar seus sonhos de consumo – a tarefa de efetivamente mover esse país adiante.

Só acho que ele derrapa ao utilizar humilde e pobre como sinônimos. E como o texto critica a percepção “nublada” das agências e profisisonais do consumo, então, seria bom que os “bois” tivessem os nomes corretos para manter a clareza de perspectiva.

De qualquer forma, vale uma lida:

www.bluebus.com.br/show.php?p=1&id=79373

O Brasil Gambiarra e o Brasil Bem Feito

Introdução – Sobre a gambiarra no Brasil

Na Wikipedia

Gambiarra é o nome dado informalmente ao procedimento necessário para a configuração de um artefato improvisado.

O Brasil é realmente um país de contrastes.
Um dos que mais me chama atenção é o fato de sabermos fazer de tudo e somos referência em muitas áreas (como na publicidade), mas muito ainda é feito na base da gambiarra ou com um padrão de qualidade aquém do ideal.

Não vou entrar nos motivos de cada um, cada empresa ou cada área, mas precisamos aprender a importância de saber fazer bem feito.

Tecnologia da Informação

Considere a área de TI, por exemplo. Temos excelentes profissionais de TI, mas são poucos que conhecem o negócio do cliente além do escopo da tecnologia. Dominam muito bem linguagens de programação, processos e práticas relacionadas à tecnologia mas são raros os que se aventuram a ler sobre assuntos diversos que ajudam a entender o produto ou serviço do ponto de vista do usuário ou do negócio do cliente. Leituras de livros e artigos sobre negócios, antropologia, fisiologia, ergonomia, design, filosofia ou qualquer coisa que ajude a pensar fora da caixa são raras.

E isso ainda leva a um efeito colateral negativo: poucos são capazes de multiplicar seu conhecimento de forma eficiente ou escrever bons textos, quiçá um livro – aliás, muitos não passariam num processo seletivo por redação. O lado positivo é que as excessões geralmente são muito boas: o livro Ergodesign e Arquitetura de Informação do Luiz Agner é um bom exemplo, entre outros.

Agropecuária

Outra área que uso sempre uso como exemplo, e que tem estado muito na minha cabeça após começar a prestar serviços para a Fruit & Food Log, é agropecuária.

Somos líderes em tecnologia agropecuária (vide o sucesso da Embrapa), mas em muitos lugares ainda há muita agropecuária destrutiva, improdutiva e usando mão-de-obra escrava – cujo termo técnico é situação análoga à escravidão – e a convivência de boas idéias e bons produtos sem uma metodologia que permita competitividade ou agilidade para brigar no mercado internacional.

O Brasil é o maior exportador de carne para mercados asiáticos e árabes por conta de um investimento maçiço em tecnologia e boas práticas em toda a cadeia de produção e logística – da criação ao produto embalado pronto para ir ao supermercado.

E a pecuária brasileira tem certas características que se tornaram numa importante vantagem competitiva e elemento de marketing: o boi verde, que é o gado bovino criado extensivamente e com alta qualidade na alimentação – significando uma carne mais saudável e de maior valor nutritivo. Apesar de ser um bom exemplo de que entrar no esquema da maioria do mundo não necessarimente significa qualidade ou uma boa opção de negócios, fica a questão sócio-ambiental: o quanto do pasto criado causou dano ao ecossistema?

E aqui, apesar de todo o investimento em qualidade, lembremos das notícias sobre o embargo à carne brasileira e o despreparo para lidar com a epidemia e limitar seus danos como prova de que ainda há muitos processos que precisam de aperfeiçoamento.

Na agricultura, acho bacana a convivência entre pequenos e grandes produtores em certas regiões e mercados, como por exemplo em PetrolinaPE, onde a produção de frutas para exportação é bem intensa: manga, uva, abacate, melão, limão, mamão, banana, et cetera.

A transformação do Vale do São Francisco em região exportadora do que os gringos chamam de exotic fruits é um ótimo exemplo de sinergia entre diferentes esferas da sociedade – poder público, iniciativa privada e indíviduos. E pelo que me contaram ainda pode ser fortalecido e aperfeiçoado.

Por outro lado, ainda há em muitos lugares uma agricultura baseada em monocultura, onde a preocupação por produtividade não vem acompanhada de cuidados e respeito ao meio-ambiente , à sociedade ao indivíduo. Locais como o interior de São Paulo que o digam – com seus bóias-frias semi-escravos em grandes propriedades e diversas famílias esperando um modelo de reforma agrária que não contemple apenas terra e se torne um meio para gerar renda e movimentar economia, e não ser apenas meio de subsistência.

Um Brasil Gambiarra ou Brasil Bem Feito

Pra mim é muito claro que precisamos reformar e revolucionar o país começando a reformar e revolucionar pequenas unidades. Do indíviduo para a família e o grupo de trabalho, da família para o bairro, do grupo de trabalho para a empresa ou orgão público, do bairro para a cidade, da empresa para o mercado, do orgão para a sociedade e assim por diante.

Se o melhor do Brasil é o brasileiro, então precisamos espalhar essa qualidade do microcosmo para o macrocosmo.

Uma reforma de baixo para cima.

Uma reforma de mentalidade, para este país deixar de ser o Brasil Gambiarra e se tornar o Brasil Bem Feito.

Sugestões e mea culpa.

2, quero dizer, 3 links interessantes:

  1. O “Long Tail”
  2. Laws of Simplicity
  3. Hoops & Yoyo (Esse eu conheci através desta nota no Blue Bus. Hilário.)

E mea culpa, estou devendo uns posts decentes. Mas além da correria cotidiana, estou cuidando da saúde.

‘braços

Celso Bessa, ouvindo www.woxy.com