Xingu, Belo Monte, Dilma e a platéia da vida real.

Em mais uma excelente coluna, Eliane Brum lança perguntas importantes:

“Por que, em um governo dito popular, se reedita o autoritarismo para impor um elefante branco da democracia, com a nossa cumplicidade? A plateia que assiste ao filme precisa responder, ao deixar a sala de cinema, a uma pergunta bem incômoda: por que, na vida, não consegue deixar de ser plateia.

Confira o texto integral em A volta do Brasil Grande que pensa pequeno ( http://pack.to/HM4yi9 ).

Post-It: Publicidade e Ética, por Ercílio Tranjan

Obrigatório ler e ver a entrevista Ercílio Tranjan no Jornalirismo. O publicitário, com extensa lista de serviços prestados à propaganda brasileiro metralha:

Me envergonha ser publicitário

“A propaganda do futuro começa no passado”

“A idéia era a seguinte: a gente deveria querer ver esse cara longe, mas, para vê-lo longe, a gente deveria tratar bem e respeitar o consumidor. Esse era o escopo. Hoje, é o contrário, como se isso fosse chato. Ou seja, o publicitário virou defensor de vender bebida alcoólica às 7 horas da noite. Parou de perceber que aquilo é um dano que ele também está ajudando a fazer. Espera lá, não é? Se há uma pessoa que respeita minha profissão sou eu, eu vivo disso, sempre vivi disso. Só acho que há maneiras éticas e responsáveis de fazer. Estou achando que as pessoas perderam isso. Se você falar esse discurso hoje, ou está velho, ou é visto como o discurso de quem está contra. O duro, para mim, é alguém achar que responsabilidade, ter uma visão responsável é contrário à idéia de criatividade. Isso é completamente absurdo. Eu sou irreverente para burro, adoro uma boa piada, adoro brincar com tudo, desde que eu não invada o direito dos outros, que não abra feridas e chagas na sociedade. Há um limite.”

“criei alguns inimigos à toa, porque eu dizia que nossa profissão era técnica. Quando houve a briga pela exigência do diploma, eu falava: “Gente, não é possível. Eu conheço grandes redatores que são engenheiros, médicos…”. Ou seja, não acredito em que um sujeito, para ser bom profissional de criação, tenha necessariamente que ter o curso de comunicação.

Entrevista no Jornalirismo, vídeo no YouTube, dica do BlueBus.

Mais sobre o livro Cabeça Tubarão e o Omelete.

Fechando o assunto sobre o lançamento do livro Cabeça Tubarão no site Omelete.

Enviei um e-mail para o Érico Borgo, um dos editores do site, comentando sobre a campanha e ele gentilmente respondeu opinando sobre a relação entre publicidade e conteúdo jornalístico. Segue abaixo o meu e-mail e logo depois o dele.

to: Érico Borgo

date: Oct 30, 2007 10:05 AM
subject: Re: Cabeça Tubarão n’Omelete

Olá Érico.

Primeiro, obrigado pelo livro, novamente.

Sobre a campanha, preciso dizer que gostei muito do formato e execução, mas no final, me senti meio ambíguo em relação à integração do conteúdo à publicidade, pois condenei isso recentemente em meu blog, na campanha do Citroën C4 Pallas. Não acredito que seja a mesma coisa, mas tem mais ou menos o mesmo princípio. Acabei colocando esse dilema no meu blog e gostaria de saber a sua opinião, e talvez da Joana, da Companhia, sobre isso. Além de ficar honrado, acho que seria positivo para o debate.

Segue o link: http://celsobessa.wordpress.com/2007/10/30/lancamento-do-cabeca-tubarao-no-omelete/

‘braços, saúde e sucesso.

Celso Bessa

E a resposta dele:

to: Celso Bessa

date: Oct 30, 2007 6:38 PM
subject: Re: CabeçaTubarão n’Omelete

O jogo foi uma idéia nossa. Eles nos procuraram para uma campanha e me deram o livro pra ler. Temos como princípio distanciamento total entre conteúdo e publicidade (note que todas as campanhas de filmes no Omelete têm críticas isentas – alguns com notas baixíssimas, caso do Jogos Mortais IV, por exemplo, que anunciou aqui e, mesmo assim, foi detonado pelo crítico), mas, pela primeira vez, achei que seria legal integrar.

Afinal, primeiro eu li e adorei o livro. Ele tem a cara do Omelete! Depois, o “vendi” aqui, pois achei que ele merecia uma chance maior junto aos leitores que o típico banner da vez. Não sou publicitário, sou editor, e imaginei que seria uma maneira bacana de anunciar de maneira mais divertida e inteligente, e colocar o leitor dentro daquele universo.

Só tivemos um e-mail questionando e reclamando da mistura, mas mesmo esse entendeu nossos motivos e, ao final, admitiu que divertiu-se. Os demais só elogiaram. De qualquer forma, esse tipo de impacto acontece só uma vez, portanto provavelmente não vamos voltar a usar o formato (afinal, também não somos um site de jogos).

[ ]´s

Érico Borgo

Curso Extensão: Iniciação à Revisão de Textos

O Pablo Vilela, do blog Cadê o revisor?, me disse que se eu não fizesse esse jabá do Curso de Iniciação à Revisão de Textos para ele, me quebraria a cara quando vier a São Paulo. E como o cara é bem relacionado numa seita sádica de revisores, é melhor eu não abusar. Está aí:

Curso Extensão: Iniciação à Revisão de Textos
  • Data: 16, 23 e 30 de Junho e 07 de Julho de 2007
  • Local: Universidade Católica de Brasília – QS 7, Lote 1, EPCT, Bloco F – sala 21 – Taguatinga – DF
  • Ministrado por Pablo Vilela, mantenedor do blog Cadê o Revisor e da comunidade Revisores no Orkut, o curso é focado em estudantes e profissionais de comunicação como jornalismo, letras, publicidade, produção editorial, comunicação e áreas afins.Inscrições e informações: através dos telefones (61) 3356-9170 e (61) 3356-9070 ou do e-mail cursosdeextensao@ucb.br .

Post-it: ONG Repórteres sem fronteiras questiona exigência de diploma no jornalismo

Post-it rápido – pois o dia está corrido – sobre uma notícia que li hoje no Conjur e reproduzo um trecho aqui.

“Exigência de diploma

Repórteres sem Fronteiras defende jornalismo sem diploma

A ONG Repórteres sem Fronteiras protestou contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça, que reafirmou a obrigação do diploma de nível superior para exercer a profissão de jornalista. A decisão do STJ foi tomada no dia 8 de novembro.

É jornalista aquele trata ou produz informação. Essa decisão parece-nos contrária à liberdade de imprensa e até mesmo, de modo mais amplo, à liberdade de informar. A competência jornalística não depende de capacitação a priori, pois está ligada à prática da profissão‘[...]“

Só algumas observações:

  • Mais uma vez os interesses de uma classe passam por cima de da coletividade. Corporativismo forte.
  • O enorme descompasso entre a visão do poder público e a realidade da maioria das pessoas. Se no mundo offline o descompasso já é gritante, no mundo web então é exacerbado.
  • O que me estimula é que o Brasil está cheio de leis natimortas ou leis que não são aplicadas de fato justamente por esse descompasso entre o poder público e a realidade. A realidade atropela e passa por cima das leis, sem dó.

E tenho certeza que a realidade web – novas tecnologias e relações sociais, profissionais e informacionais – vai atropelar essa canetada.

PS: aproveitem e leiam o texto O poder da mídia no Brasil e no Mundo e acessem o site da ONG Repórteres sem Fronteiras para conhecer mais sobre imprensa, liberdade e responsabilidade de imprensa.