Sobre Google, Padarias, Kebabs, Esfihas e um bom negócio.

Rapidinha… ou não.

  1. Relembrem minha frase preferida de Fernand Alphen: “Uma padaria fabrica pão, não dinheiro.”;
  2. Leiam a missão do Google. Em inglês, pois a versão em português deve muito à original em coesão, concisão e densidade: “Google’s mission is to organize the world’s information and make it universally accessible and useful.” Em bom português: A missão do Google é organizar a informação do mundo e fazê-la universalmente acessível e útil;
  3. Releiam o artigo Excelência nos negócios – O “core business” da Kebab Salonu e Confeitaria Monte Líbano, aqui mesmo no Post-Its;
  4. Agora, prossigam até o o blog oficial do Google e leiam a explicação sobre possíveis motivos que fazem o Google um caso de sucesso, no post Our Secret Sauce (Nosso tempero secreto). Está em inglês, mas podem utilizar a ferramenta de tradução do Google, uma bela prova de que estão empenhados em cumprir a missão que se propuseram: www.google.com.br/language_tools?hl=pt-BR . A versão traduzida pode ser lida clicando aqui.
  5. Depois, volte aqui ao blog e respondam: Dá para discordar que “a padaria Google ” é um sucesso pois “o seu pão” é bom demais? Existe melhor estratégia de negócios e marketing que essa?

‘braços e bom dia.

Celso

Excelência nos negócios – O “core business” da Kebab Salonu e Confeitaria Monte Líbano

Se você abrir revistas ou livros, ou pagar absurdos por algumas palestras sobre administração, negócios e marketing, encontrará, entre os vários “mandamentos sagrados”, alguma regra sobre valorizar a relação com o consumidor e atenção ao core business ou ainda como a excelência no atendimento ou na execução do seu serviço e qualidade do produto (valorizar o seu cliente é o caminho dourado para o sucesso).

Eu concordo com essa posição, mas prefiro ficar com uma frase singela de Fernand Alphen, diretor de Branding, Planejamento e Pesquisa da F/Nazca S&S:

“Uma padaria fabrica pão, não dinheiro.”

Muito mais simples, eficiente e profunda do que essa prosopopéia tão comum em material de administração, escrita por gurus de auto-ajuda corporativa com salários ou cachês hiperinflacionados por conta da mediocridade, falta de coragem e atenção que toma conta da maioria dos ambientes de negócios.

E para ilustrar bem o quanto essa frase é verdadeira, sugiro visitar 2 lugares em São Paulo: Confeitaria Monte Líbano e o restaurante Kebab Salonu. Ambas aplicam conceitos elementares de marketing, e principalmente de negócios, que a maioria das empresas esquecem. Inclusive o mais elementar: números numa planilha não são responsáveis pela compra de um produto ou serviço e sim SERES HUMANOS. (*)

Confeitaria Monte Líbano ou Esfiharia do “Seu Elias”

O primeiro é uma pequena esfiharia na Rua Vergueiro, 2229 (em frente ao terminal de ônibus em cima da estação Ana Rosa do Metrô – linha azul) e serve para mostrar que não é preciso investir muito em visual, em design para prestar um bom serviço. Afinal, nenhuma boa publicidade ou embalagem sustenta um produto ou serviço ruim – uma moldura bonita não salva um quadro feio.

O lugar não é bonito, é pequeno, parece uma mistura de bar e mercearia, tem um perfil popular, mas tem a melhor esfiha dessa cidade. Infelizmente, bateu até as famosas esfihas da minha mãe. Quentinha, massa delicada, recheio na medida certa e sabor suave. A simpatia do Sr. Elias e das outras pessoas que lá estão apenas reforçam a ligação com os fiéis fregueses.

Vá com muita fome, experimente de todos dos poucos, mas deliciosos, sabores de esfiha (Zaatar, Escarola, Carne, Palmito e a divina de Queijo), coma alguns doces árabes como sobremesa e finalize com um cafézinho. O gosto bom vai persistir por um bom tempo na sua boca e memória!

Kebab Salonu

Já o Kebab Salonu – na Rua Augusta, 1416, próximo ao Espaço Unibanco de Cinema – une a boa comida e excelente atendimento a um ambiente agradabilíssimo: da arquitetura e programação visual à boa música, tudo convida a passar bons momentos, bem acompanhado. Seus Kebabs (espécie de sanduíche do oriente médio) contemplam sabores e culinárias de todo o oriente médio: Da Síria à Índia, do Iraque à Israel e são feitos com muito esmero e servidos por uma equipe extremamente gentil.

De fora, parece um restaurante fast-food, mas não se engane, o perfil do público-alvo é aquele que preza por qualidade, mas não quer ser abusado no preço. Vá preparado para provar algumas entradas (maravilhosas) enquanto aguarda os 20/25 minutos de tempo médio para preparo do Kebab. Finalize com um cafézinho, seja o com Arak ou mesmo o cafezinho simples. Você vai querer voltar em muito, muito breve.

No fim das contas?

No fim das contas você pagou um preço justo, por um serviço ou produto bom, se tornou fiel e um multiplicador da marca. E para tudo isso, o empresário do outro lado só precisou fazer bem a lição de casa. No caso do Kebab Salonu, a casa optou por correr o risco de perder clientes em nome da fidelidade à seu conceito e à manutenção de um bom ambiente: é terminantemente proibido fumar no estabelecimento.

Como profissional de comunicação e design adepto da escola funcional, quem me dá lição é o consumidor. Não adianta ser bonito e descolado, se você não cumpre bem a sua função.

Visite, pense, aprenda e faça da sua padaria a melhor fábrica de pão.

‘braços

(*) = Negrito e caixa alta, na esperança de que as operadores de telefonia e empresas de e-commerce prestem atenção.

Artigo também publicado no site Outrolado, clique aqui para ler.

Argumentos contra o copyright, por Fernand Alphen. Viva o Creative Commons!

Primeiro, desculpem não publicar com frqüencia nos últimos dias. Culpa de toneladas de trabalhos, estudos e projetos.

Segundo, leiam o texto do Fernand Alphen , da F/Nazca, no Webinsider, intitulado: O Copyright é entrave à memória, difusão e organização.

Trechinho:

“A excessiva proteção aos direitos autorais não estaria sendo um real – e inflexível – entrave não somente à difusão de conhecimento mas também à perpetuação da memória cultural?”

Não é segredo que sou entusiasta do Creative Commons, inclusive na minha página do Flickr e aqui no blog há diversas ilustrações sob licença Creative Commons, além de textos defendendo ou comentando o assunto. Mas se você é do tipo que só dá atenção a um conceito quando defendido por um figurão, espero que o texto do Fernand abra seus olhos.

Creative Commons no Celso Bessa Post-Its:

Direitos autorais no mundo moderno – Comentário

Atenção para dois artigos interessantes sobre direitos autorais que mostram mudanças de posturas sobre a questão de direitos autorais em relação à novas tecnologias e a dinâmica do mundo contemporâneo de uma forma geral.

“Essa diferenciação permitirá que a OMPI avance no terreno dos meios mais tradicionais, como a rádio e a televisão, ao mesmo tempo em que deveremos educar sobre as novas tecnologias, já que muitos países precisam saber mais sobre esse tema”, disse Hayes.”

Em “OMPI deixa “webcasting” de fora dos direitos de rádio e televisão”
(www.estadao.com.br/tecnologia/internet/noticias/2006/mai/09/210.htm)

O outro é de Fernand Alphen, no Webinsider:

E que isso sirva de atestado de envelhecimento para muitas contrações. A censura, por exemplo. A caretice, por exemplo. O preconceito, por exemplo. O direito autoral, por exemplo.

Big Bang, de Fernand Alphen
(http://webinsider.uol.com.br/index.php/2006/05/06/big-bang/)

PS: Aliás, Fernand Alphen já escreveu outra frase que ficou como citação em minha assinatura por muito tempo: “Uma padaria fabrica pão. Não dinheiro.”