Pete Townsend, Roberto Cabrini, drogas e pedofilia

AVISO: este texto não tem a intenção de ser uma acusação ou fazer apologia à pedofilia ou tráfico de drogas.

Uma vez, escrevi aqui no Post-Its sobre o incômodo que sinto ao encontrar estatísticas de busca no blog por termos e expressões relacionados à pedofilia. Nessa semana, alguém entrou aqui no blogue procurando por “Crianças Transando” e fiquei muito incomodado novamente.

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Na hora, me deu vontade de entrar no Google, digitar a mesma expressão e sair clicando em todo site que aparecesse, até descobrir algum site sobre pedofilia. Investigá-lo, anotar nomes de envolvidos, reunir evidências (inclusive fotos), talvez até me passar por um pedófilo, para depois pegar tudo o que reuni e fazer alguma denúncia, algo no gênero. Mas desisti, pois não quero passar pelo perrengue que Pete Townsend, guitarrista do The Who, passou. Lembremos:

Inglaterra, 2003. Pete Towsend acusado de pedofilia.

Townsend era usuário cadastrado em um site sobre pedofilia, teve seu computador invadido pelas autoridades britânicas e acusado de pedofilia. Em sua defesa, disse que estava reunindo informações para escrever sobre o assunto em sua autobiografia. Townsend alega ter sido molestado quando criança.

Sei que estou sendo imparcial e não tenho nada mais em quem me basear que minha intuição, mas creio que o Townsend realmente não era pedófilo e que deve ter dado uma risada nervosa sobre a ironia de ter sido acusado por algo de que foi vítima. Se considerarmos verdade que ele é inocente de pedofilia, pergunto: ele errou?

Mudemos de lugar e de tempo e vamos a outro caso que me fez pensar.

Brasil, 15 de Abril 2008. Roberto Cabrini é preso e acusado de tráfico de drogas.

Ontem, li a notícia de que Roberto Cabrini e sua equipe de reportagem foram presos com 15 papelotes de cocaína e acusados de tráfico de drogas.

Poucas informações foram divulgadas, e sinceramente, não procurei muito também. Mas enquanto o Cabrini e a equipe são indiciados e a polícia sustenta a acusação, a sua emissora informa que ele estava fazendo uma reportagem sobre o tráfico. Em algumas notícias, consta que que Cabrini diz que foi vítima de armação e que não sabia de quem eram os 15 papelotes de cocaína , enquanto em outras, principalmente as primeiras, sugeriam que a compra estava ligada à investigação em si.

Considerando o histórico e perfil de Cabrini - repórter incisivo, com gosto por reportagens e investigações polêmicas e incômodas para muita gente graúda – e considerando que já testemunhei um policial rodoviário ameaçando plantar droga no carro de uma amiga caso esta amiga não pagasse a cervejinha do feriado, não duvido da história dele. Mas para este texto, vamos considerar que ele realmente comprou os 15 papelotes e o motivo seria passar-se por usuário, e ganhar confiança do traficante ou algo no gênero.

Townsend foi chamado de ingênuo, mas Cabrini é macaco-velho e tem muita experiência em assuntos complicados como este. Novamente a pergunta: ele errou?

O certo, o errado. O legal e o ilegal.

De concreto, sabemos apenas que cometeram crimes: um acessou sites ilegais, outro portava uma quantidade elevada de substância ilegal. Vale notar que a legislação brasileira diferencia usuário de traficante pela quantidade e 15 papelotes não é exatamente quantidade para consumo próprio.

Sei de minhas opiniões, e guardo estas guardo comigo para evitar influenciar ou sugestionar, pois sei que o importante numa sociedade é o desejo e opinião da maioria – ao menos no modelo ideal. E justamente por isso peço a opinão de vocês sobre algumas perguntas que dizem respeito não apenas à legalidade, mas à moralidade e legitimidade dos nossos atos:

Então, considerando a possibilidade de Townsend e Cabrini terem dito a verdade, digam lá:

  • Eles erraram?
  • Vocês, queridos leitores e colaboradores, fariam o mesmo?
  • Até onde a lei é ou deve ser rígida nesses casos?
  • O que é mais importante: a legalidade ou a moralidade?

Reflitam, debatam e expressem-se.

‘braços

Ácido quínico x THC. Fazendo a cabeça com orégano, extras de DVD e mais.

Rapidinho que hoje estou ocupadérrimo aqui no trabalho.

Estou acompanhando o blog de produção de Um Romance de Geração, filme de David França Mendes, e está sendo melhor que ver extras* de muito filme grande gringo:

  • Aprendi a fazer um beck falseta com orégano e erva-doce, que obviamente usarei para pregar peças em por aí. Uaca, uaca, uaca. (Fozzie!)
  • Conheci um slogan, ou melhor – trecho de um jingle, batuta da US Top. Aliás, por onde anda a marca US Top? Profissionais de branding, manifestem-se.
  • A menção ao processo de brainstorming sobre a década de 70** me deixou curioso e me perguntando se a metalinguagem e as referências aos anos 70 não poderiam tornar o filme um pouco hermético. Porém, fiquei mais curioso em ver o resultado final. Para os profissionais de marketing, fica a lição de como fidelizar um “cliente” com um baixo custo: mostrar um pouco do produto com honestidade e simplicidade e interação do usuário com produto e produtores (ei, isso é web 2.0!) praticamente garantiu que eu irei assistí-lo. Aliás, a ABC tem feito isso com o blog/game online da série Lost: The Lost Experience.

* = Para quem gosta de extras, os do DVD especial de Extermínio (28 Days Later) são um prato cheio. São (in) comuns: final alternativo e cenas excluídas, mas o final alternativo é praticamente um segmento inteiro do filme, em storyboard narrado pelo diretor e pelo roteirista. As cenas excluídas são muito bem escolhidas e realmente importantes. Nos dois casos, o filme mudaria completamente o tom e o drama. Demonstram como é difícil, doloroso eu diria, o processo de edição.

** = Tha 70′s Show é muito batuta demais da conta pra caramba. Saudades de quando eu assistia. :-)

‘braços

Celso Bessa

go = Tema do Bozo, Billie Holiday: Moonglow, Bronski Beat: Smalltown Boy e Chemical Brothers: Private Psychedelic Reel.