Caçando dinossauros: Protesto e Manifesto dos Sem-Mídia em São Paulo

[Atualizado em 17 de setembro de 2007 Às 11h15]

Só para constar, não fui ao protesto/manifesto. Acometido de problemas gastro-intestinais, não pude comparecer, mas o manifesto foi entregue, vejam nota no Blue Bus, vídeo no YouTube e mais informações no Cidadania, por Edu Guimarães.

[texto original]

Não tenho a intenção de transformar esse blog numa plataforma política e por isso fiquei bem reticente em comentar esse assunto aqui. Mas não posso negar que sou entusiasta da caça e extinção dos dinossauros midiáticos e nem posições que defendi contra a velha e grande mídia- da imprensa escrita à publicidade caduca – no Post-Its.

Então, depois de muito relutar, estou aqui, propagandeando o protesto e o Manifesto dos Sem-Mídia, organizado pelo Eduardo Guimarães, do blog Cidadania.

Assim, fica bem claro que:

  • Concordo com o manifesto;
  • Acredito no poder transformador da internet, em especial de ferramentas sociais e de inteligência coletiva como blogs, wikis, redes sociais e correlatos. Não apenas para articulação – como no caso do protesto – mas também para exercício de todas as prerrogativas da cidadania e de uma democracria real;
  • Quero ver uma sociedade onde as unidades que a compõe, os cidadãos, tenham mais influência, poder e RESPONSABILIDADE que pequenos grupos, historicamente ligados ao controle da informação. Enfatizando a necessidade de contrapesos ao grande poder da mídia no Brasil e no mundo;

E bora chamar atenção!

Amanhã estarei lá no prédio da Folha de São Paulo, para engrossar o protesto. O Cícero Rafael, do (un)Common People também. Anote o endereço:

Alameda Barão de Limeira nº 425, bairro Santa Cecília, em São Paulo. (clique aqui para ver no Google Maps)

‘braços

Celso Bessa
(ouvindo Surprise! You’re Dead, do Faith no More. Bem apropriado, pois fé eu não tenho muito mais, e estou doido para que os dinossauros faleçam! :-) )

Youtube Remixer – edição de vídeo online

O Google está mesmo a fim de eliminar um monte de ferramentas do desktop.

Estava escrevendo um texto para o CyberTV e cheguei até o Youtube Remixer, uma ferramenta muito bacana – ainda em testes – que permite a edição de vídeos online.

Óbvio que não é voltado para profissionais, mas tenho certeza que veremos muito vídeo criativo por aí. E essa ferramenta também abre um possibilidade muito grande para a democratização da expressão. Imaginem um telecentro que, ao invés de investir em um parque de computadores parrudos e programas caros de edição, investe de forma mais inteligente numa conexão banda larga, computadores que suportem essa ferramenta de edição online e oficinas de criatividade. Se O Youtube criar um suporte direto a vídeos a partir das câmeras digitais ou celulares, fica mais interessante ainda.

Imagino que dentro em breve terão opções mais avançadas da edição, pois há um banner da Adobe no site Youtube Remixer sobre o Adobe Premier Elements, voltado ao mercado de vídeo doméstico e a interface do Remixer utilizar Adobe Flash, que me leva a supor que todo o backend é feito em Adobe Flex, e como a Adobe está investindo pesado no Flex e no conceito de RIA (Rich Internet Applications, ou aplicações internet ricas), me leva a supor que está participando ativamente do projeto e este pode crescer bastante.

Para os desenvolvedores que estão interessados em desenvolver algo com Flex, RIA e Web 2.0, seria ótimo ficar de olho e notar que o mais importante é que o projeto acrescente valor para realmente fazer sentido usar Flex ou qualquer outra tecnologia vistosa e chamá-lo de Rich.

Jabá de Leve (pode chamar de publicidade)

A BRQ é distribuidora exclusiva no Brasil da linha de produtos Enterprise da Adobe, composta por LiveCycle e Flex. Para mais informações, visite: www.brq.com/portugues/pressreleases-20060518-adobe-00.htm

O Citroën C4 Pallas, ética, blogs, TV digital, feeds e a velha mídia

You said your body was young but your mind was very old – Chemical Brothers, Setting Sun
(Você disse que seu corpo era jovem, mas sua mente era muito velha)

E o campanha do Citroën C4 Pallas continua dando o que falar… e serve para mostrar algumas mazelas da velha mídia, mesmo que travestida de moderna, além de outras mazelinhas. Seguem alguns comentários:

  • O blog Prior caiu de tanto acesso por causo dessa campanha. Segundo a frase de Pedro Kalil no post A repercussão da campanha do “asteróide” Citroën C4 Pallas, o Prior foi atingido pelo asteróide 2-Pallas;
  • O UOL publica o anúncio, deixa lá um tempão, depois publica um texto com o diretor de publicidade Enor Paiano dizendo: O UOL cancelou a campanha, pois repudia publicidade que imita conteúdo jornalístico e confunde o público, mesmo que o espaço utilizado esteja informado como ‘Publicidade’. Se repudia, por que publicou? Zok. Deslizes acontecem e os caras foram ligeiros, né?
  • No mesmo texto do UOL, há uma frase creditada à assessoria da Citroën, H2M, que merece atenção: ‘o maior objetivo da ação foi despertar a curiosidade dos consumidores. A iniciativa foi bem-sucedida’. A Citroën não comentou os aspectos éticos da divulgação da falsa notícia. Relembrando o que escrevi anteriormente: “Acho que haverá um bafafá e as empresas podem até soltar um ‘mea culpa‘. Mas no final, o carro ficou conhecido e muita gente vai querer saber mais e comprar.”. Quem quer saber de ética se o objetivo é vender? Os incomodados podem arremessar pedras do tamanho do asteróide 2-Pallas, que o que importa é vender o outro Pallas, o C4 Pallas da Citroën.
  • Dica para empresários que têm, ou pretendem ter, presença na web: manter um website ou um blog atualizado e com informações relevantes, otimizado para buscadores como o Google e o Yahoo (isso se chama SEOSearch Engine Optimization e também linkbaiting) e jogo ágil e limpo pode ser melhor e mais barato que contratar uma assessoria de imprensa para apagar incêndio ou dar uma polida na imagem;
  • Mais uma vez, a blogosfera mostra o potencial que tem e o que viral pode realmente significar. Pipocaram blogs comentando da campanha, a maioria malhando a Citroën e os veículos de mídia que aceitaram a peça de publicidade ou que acreditaram que era real. A velha mídia, habituada a ser dona da verdade, anda sendo passada por trás por pequenas unidade informacionais no ciberespaço. Isso sinceramente me emociona, pois mostra alguns pontos defendidos por Pierre Lévy ao falar de inteligência coletiva e democracia em tempo real;
  • Interessante observar o paralelo entre essa ação e a encenação radiofônica de Guerra dos Mundos de Orson Welles no começo do século XX. Até mesmo o texto do UOL menciona esse paralelo. Sempre achei a idéia de Welles fantástica, mas agora não me desce bem não;
  • Tangenciando um pouco, um outro exemplo do atraso da grande mídia é essa notícia da Folha de São Paulo: “TV Digital sairá cara e poderá ser adiada”. Como o Dr. Jorge disse no blog Direito e Trabalho, notícia fria. Isso já foi bem exposto no artigo TV Digital vai perder na luta por espaço com a web, de Stivy Malty Soares, no Webinsider. Lá no CyberTV, formado por um grupo de estudantes do primeiro semestre de comunicação social, já temos bem claro isso desde a primeira reunião de debates.

E finalizando o texto, a frase do Dr. Jorge, do Direito e Trabalho, e um comentário que fiz lá sobre esse assunto e que serve para reflexão:

Jorge: “Por isso, antes de ler seu jornal matutino, estampado com aquelas notícias frias de ontem, dê uma olhada no seu agragador de FEEDs e não seja sumpreendido.”
Celso:“Meu caro Jorge.
Mandou muito bem na defesa dos Feeds – algo que quando cair ‘na boca’ do povo vai levar muito veículo de imprensa ao desespero.”

Technorati Tags para a campanha de lançamento do novo Citröen C4 Pallas: citroen, citroenpallas, citroen+pallas, citroen+c4+pallas, citroen+c4, c4+pallas, pallas, asteroide+2pallas, asteroide2pallas, 2pallasasteroid e 2pallas+asteroid

Fotos digitais no celular, de bolso, Pierre Lévy e democracia

Fotos de Bolso - 6235 Festa da Ju Editada (thumb)No podcast PodCrer, edição 11, o Michel Lent, o Vicente Tardin (diz-se tardêin ou algo próximo disso) e o Vladimir Campos discutem sobre fotografia digital no celular. Começam considerando a baixa resolução de celular como limitador do prazer de fotografar, mas em certo ponto, comentam de fotos bacanas que fizeram e como os limites estimulam a criatividade e ajudam a criar uma nova linguagem.

Não poderia discordar que limites estimulam, afinal, o projeto Fotos de Bolso (*) é justamente a busca por uma linguagem e uma forma de vencer as limitações das câmeras em telefones celulares, e, revendo a história da fotografia, a impressão que fica é que vivemos um momento histórico ainda mais importante do que quando George Eastman começou a vender suas máquinas portáteis, no século XIX.

Serviços como blogs, fotologs ou o Flickr contam com excelentes fotos digitais registradas por fotógrafos vão de profissionais maduros a adolescentes “amadores” – lado a lado. Algumas são feitas através de câmeras SLR digitais cada vez mais potentes; porém muitas são feitas por câmeras compactas (point and shoot) ou com celulares. E ao mesmo tempo que se tem fotos trabalhadas em programas de edição de imagem – que não sem propósito são chamados laboratórios digitais – pode-se encontrar fotos belíssimas sem manipulação alguma.

Se a história é mesmo feita de cotidiano, podemos dizer que no caso da foto digital no celular – um aparelho cada vez mais barato e comum no cotidiano – a possibilidade de cada um fazer a história coletiva é muito maior.

Pierre Lévy, no livro Inteligência Coletiva(***), defende a busca por novas formas de comunicação e interação entre os indivíduos – partindo do princípio de distribuição em rede e através do ciberspaço – que constituiria um cenário multimidiático(**) em que cada ser contribuiria com a criação de novos signos, novas linguagens, aumentando o saber coletivo e diminuindo a importância de “gurus” em diversos assuntos, pois todos seriam capazes de se expressar e compartilhar com o mundo, deixando de ser julgado ou filtrado por uma entidade superior (como uma organização, um crítico especializado , um “ser mais iluminado” ou “gabaritado”) e passando a ser julgado pelo coletivo.

Democracia em tempo real, como defendeu Lévy. Parece utópico, mas também bem interessante e possível.

‘bora nessa?

* = Projeto Fotos de Bolso acessível em www.flickr.com/photos/celsobessa/sets/72157594588184373/
** = Sobre o assunto Inteligência Coletiva, além das obras de Pierre Lévy, recomenda-se a leitura dos artigos escritos por Carlos Nepumuceno no website www.webinsider.com.br
*** = Considerações semelhantes podem ser aplicadas a outras formas de expressão e comunicação, como visto em Considerações para o futuro da televisão: interação e a inteligência coletiva ( www.cybertv.blog.br/consideracoes-para-o-futuro-da-televisao-interacao-e-a-inteligencia-coletiva/)

[update]

Artigo também publicado nos sites colaborativos Outrolado e Jornal de Debates: