RIP Remix – Um Manifesto pelo Remix. Documentário open source sobre copyright, propriedade intelectual, crowd-sourcing e afins

Acabei de ver o trailer de um documentário que parece ser muito bacana:  RIP Remix – A Remix Manifesto, de Brett Gaylor.

Tratando sobre propriedade intelectual, colaboração, open source, crowdsourcing,  e afins, o livro tem entrevistas com diversas figuras defensoras de alternativas mais flexíveis ao copyright, como a licença GPL, Creative Commons e afins. Incluíndo aí o Lawrence Lessig e o ex-Ministro da Cultura, Gilberto Gil, conhecido por usar e estimular uso de ferramentas e posturas open source, inclusive no ministério(*). 

O projeto RIP Remix também parece ser bem colaborativo e aberto na forma que foi realizado e divulgado. Menos coletivo na realização que o livro brasileiro Para Entender a Internet (**), por exemplo, é interessante pois o diretor deu muita liberdade para pessoas do mundo todo remixar as imagens brutas que gravava, levando a uma edição diferente do que ele faria se fosse o único “dono” do projeto. 

Já a divulgação, aposta no apoio de colaboradores e expectadores, permitindo que o filme seja baixado pelo preço que o expectador escolher, e estimulando-o a fazer exibições públicas do filme. 

Abaixo o link para o site oficial (em inglês) e o trailer do documentário.

Vou baixar, assistir, e em cima do quanto eu gostar, baixo de novo e faço o meu preço. Acho que é justo não?

RIP Remix – A Remix Manifesto: www.ripremix.com

* = um bom exemplo da postura open source / colaborativa do Ministério da Cultura é o plug-in Gerenciador de Capas, para WordPress, usado pelo ministério em seu portal e disponibilizado gratuitamente nos sites Xemelê e Software Público. Eu uso em 4 sites de clientes e agradeço muito à equipe web do MinC pelo bom trabalho.

** = Recomendo enfaticamente a leitura de Para Entender a Internet, organizado pelo Juliano Spyer e com mais de 40 autores craques em internet e cibercultura.

O que há de errado com o Projeto Azeredo que ferra liberdade, privacidade e internet

Não gosto muito de copiar e colar posts inteiros, mas como o assunto é importante e o post original é escrito por uma autoridade no assunto (professor de Direito Penal e advogado com atuação na área de Direito Informático), acho melhor publicar na íntegra. Espero que o Túlio Viana não se importe e sugiro a você, leitor, que visite o site dele para saber mais.

Informe-se, espalhe a informação, reclame e combata este projeto.

O que há de errado com o Projeto Azeredo?

Uma rápida síntese das críticas que fiz ao Projeto de Lei de Crimes informáticos no debate de sexta-feira com o Sen. Azeredo:

  1. Crimes informáticos NÃO são crimes contra a incolumidade pública. Crimes contra a incolumidade pública têm como nota característica a indeterminação do alvo, podendo gerar perigo comum a um número previamente incalculável de pessoas ou coisas não individualmente indeterminadas (Cf. HUNGRIA, v.IX, p.10). São exemplos de crimes contra a incolumidade pública: incêndio (art.250 CP), inundação (art.254 CP), epidemia (art.267 cp), etc. Crimes informáticos são crimes contra a privacidade e devem ser colocados entre os crimes contra a liberdade individual, como por exemplo violação de domicílio (art.150 CP), violação de correspondência (art.151 CP) e divulgação de segredo (art.153 CP).
  2. O novo art.285-A proposto pelo projeto Azeredo exige para a tipificação do crime de acesso não autorizado a sistemas computacionais que haja “violação de segurança”, protegendo apenas computadores com “expressa restrição de acesso”, o que NÃO é o caso da maioria dos computadores dos usuários comuns. Se o usuário não manifestar EXPRESSAMENTE sua vedação ao acesso por parte de terceiros (como isso seria feito, não me perguntem…), o crime não existirá.
  3. A pena prevista para o acesso não autorizado é de 1 a 3 ANOS de prisão, completamente desproporcional aos demais artigos do Código Penal. Compare-a, por exemplo com a pena da violação de domicílio que é de 1 a 3 MESES. O legislador pune com muito maior rigor a violação de um computador que a violação de um domicílio. Desnecessários maiores comentários.
  4. Os arts.285-A, 154-A, 163-A, 339-A trazem um parágrafo único que estabelece um aumento de sexta parte da pena, caso o usuário use nome falso para a prática do crime, o que, por óbvio, inviabilizaria a aplicação da pena mínima já que certamente ninguém será suficientemente tolo a ponto de usar seu nome verdadeiro para a prática de crime.
  5. O art.16 define como “dispositivo de comunicação” qualquer meio capaz de processar, armazenar, capturar ou transmitir dados utilizando-se de tecnologias magnéticas, óticas ou qualquer outra tecnologia. São, portanto, dispositivos de comunicação, para o legislador: disco rígido, CD, DVD, pen-drive, etc. Terrível!
  6. O art.21 exige que o o provedor de acesso armazene por 3 anos os dados de endereçamento de origem, hora e data da conexão efetuada, o que, na prática, equivale a inviabilizar completamente a existência de redes wifi abertas, dificultando a inclusão digital e violando a privacidade dos usuários que terão seus dados de conexão à Internet rastreados pelos provedores de acesso, em nítida violação ao art.5º, X, da Constituição da República. Além disso, a medida é ineficaz, pois criminosos experientes poderiam usar técnicas para camuflar seus rastros.
  7. A convenção de Budapeste foi criada e pensada na Europa para tutelar os interesses de países ricos que possuem imensa quantidade de produção intelectual protegida pelos direitos autorais. Não há qualquer razão plausível para o Brasil aderir a esta convenção que, por óbvio, não foi encampada por China, Rúsisa, Índia, Argentina e outros países em desenvolvimento.
  8. O principal argumento do senador para sustentar a necessidade de aprovação do projeto de lei é o aumento das fraudes bancárias na Internet, o que gera um alto custo para os bancos. Não será vigiando os usuários, porém, que se evitará as fraudes, pois os sistemas de segurança dos bancos são bastante rudimentares e inseguros. Se o problema são as fraudes bancárias, sugeri ao senador que ele propusesse uma lei CIVIL obrigando os bancos a adotarem a assinatura digital como tecnologia de segurança para o acesso a transações bancárias, o que inviabilizaria praticamente 100% das fraudes bancárias de que temos notícia hoje em dia, sem necessidade de qualquer lei penal. Os bancos atualmente não adotam a assinatura digital, pois é mais barato para eles arcarem com os eventuais prejuízos de fraudes de seus clientes do que com os custos da assinatura digital para todos os usuários (claro que, nesta análise econômica, eles desconsideram os transtornos causados aos clientes).
  9. Outro argumento do senador em defesa de seu projeto é a “pedofilia na Internet”. Argumentei, no entanto, que o problema da pedofilia não é virtual, mas real e qualquer política séria (e não midiática) de combate a ela deve ser efetivada onde os estupros destas crianças estão ocorrendo. Não se leiloam virgindades de crianças às escondidas, pois evidentemente é necessário o mínimo de publicidade para que os eventuais interessados possam comparecer ao local para dar seus lances. Aliás, basta andar à noite nas ruas das grandes cidades brasileiras, especialmente nas turísticas, para perceber que o combate à pedofilia deve começar nas ruas e não na Internet, pois são lá que as fotos são tiradas. Pedofilia não é um crime informático; é um crime sexual praticado fora da Internet e é lá que ele deve ser combatido.
  10. Em síntese, a lei é ineficaz, pois enquanto não for adotada a assinatura digital as fraudes bancárias continuarão acontecendo e enquanto a polícia não for à rua para combater a pedofilia, os estupros de crianças continuarão ocorrendo. Por outro lado, a lei dificulta a inclusão digital, pois inviabiliza as redes wi-fi abertas e invade a privacidade dos usuários da Internet ao obrigar o armazenamento de seus logs por 3 anos, o que poderia facilmente ser camuflado por um criminoso informático experiente.

A Vida Secreta – Top 10 no Best Blogs Brazil 2008

Olá, crianças.

O A Vida Secreta passou a fase de indicação e é Top 10 no Best Blogs Brasil 2008.

Se quiser fazer a B. – grande mentora do A Vida Secreta – e eu felizes, vá lá, faça o seu login e vote no A Vida Secreta! Basta clicar aqui, se cadastrar e mandar ver em A Vida Secreta.

E se você não conhece ainda o A Vida Secreta, então é uma boa oportunidade de ler o blog em www.avidasecreta.com.br .

‘braços

Celso Bessa

Blip Collaborative Tales Project

[update: the Project "Home" was moved to http://bliptales.wordpress.com, all news, info and project updates will be published in there, the official Blip Collaborative Tales Project blog]

[update: new directives added - story start day and deadline]

[update: new directives added - story consolidation dates and do-not-finish rule]

[update: english music only]

Hey, Blip children.

I was thinking about doing a “Blip Collaborative Tales Project“.

A DJ blips a song and tells part of the story and indicates another Blip DJ to continue the story on it’s blip and so forth…

Blip Collaborative Tales Project Directives

  • The first story will begin to be told on Friday,  December 20th, 2008, 20h00 GMT.
  • The first story will end on Monday,  January 19th, 2009, 20h00 GMT.
  • In order to reach a broader audience and allow people with different perspectives and culture participate, the music titles and lyrics must be english written.
  • The text must be related to the song AND really connect to the previous blip/part and the whole story.
  • The DJ must choose another DJ only from the favorites list of blip_tales user.
  • The chosen DJ must contribute within 1 day. If he/she does not, the previous DJ must choose another DJ to contribute.
  • The DJ telling the story must not choose the 3 previous DJ to be the next teller.
  • Everyone must use the use this format: @blip_tales the story following the previows dj and related to the music you just blipped @thefollowingdjname
  • The blip text must be in english. Avoid using abbreviations.
  • The blips telling the story will be mixed and consolidated weekly on the Blip Tales profile, on Blip.fm: 
  • do-not-finish-it rule: posts ending the story before the last 3 days won’t be accepted. The last 3 DJs must collaborate to give a good/proper end right in the deadline date.
  • This a collaborative project. So, remember to keep the work and the story that came before you and do not make things too hard to the DJ following you. Sharing, articulation, understanding and collaboration are key points in this project.
  • All news, info and project updates will be published in the official Blip Collaborative Tales Project blog

I will be responsible for consolidate the story, weekly, by the user Blip Tales (blip_tales) and as soon as i get enough confirmations, i will start it (we already have enough participants and the story begins this friday. Check the dates above)

How to join the Blip Collaborative Tales Project

For this first phase, only invited DJs will be part of it, but, if a bliper wants to participate, he/she must blip a music with the following text:

@blip_tales application. I want to tell a story too.

The participants list will be the favorites DJs of the blip_tales user. If you not in this list, you are not accepted yet. (remember, i’m worker and student)

All said, I’m waiting for your replies and applications.

See ya, hear ya, read ya.

Celso Bessa ( http://blip.fm/CelsoBessa )

PS: Don’t you know what Blip.FM is? Take a look here and here.

A Vida Google – Larry Page, Sergey Brin, Eric Schmidt revisam Descartes

Ainda não é onipresente e onisciente, mas em quase todo momento ou lugar da minha vida, o Google participa: da namorada que chegou a mim através da já clássica busca, às anotações sobre meus próximos projetos no Google Notebook.

E isso é a só a ponta do novelo, pois rapidamente, posso listar serviços e produtos que estão na minha vida a maior parte do tempo desperto:

  • Analiso a performance dos sites que gerencio ou participo através do Google Analytics e do Webmasters Tools.
  • Ganho uns trocados com o Adsense.
  • Me informo sobre baladas, notícias e eventos culturais pelo Google Reader.
  • Mostro minha arte fotográfica e faço contatos através do álbum e comunidades do Orkut.
  • Exercito a capacidade de análise e reflexão publicando artigos no Knol.
  • Planejo minhas viajens e divulgo informações sobre minha cidade no Maps.
  • Faço uma amiga gringa passar vontade de comer brigadeiro, coxinha e pastel de queijo com as fotos encontradas pelo Google Image Search.
  • Dou risada, me informo, me aperfeiçôo e me admiro com a liberdade de expressão (e o alcance dessa expressão) que vídeos e posts no YouTube e Blogspot permitem.
  • Lamento shows que perdi de artistas e bandas que não estão mais por aqui, relembro alguns dos que vi no YouTube e Google Video.
  • Mantenho controle de meus prazos e cronograma no Google Calendar.
  • Escrevo projetos, propostas e controlo finanças no Google Docs (que me livrou de ser obrigado a gastar uma grana absurda com o Microsoft Office para usar só o básico).
  • Encontro código-fonte e softwares que dão boas idéias, ou mesmo solucionam problemas, em um projeto de software que estou participando.
  • Gerencio toda a minha comunicação pessoal e profissional com o Gmail e o Gtalk. Que sem dúvida não substituem uma boa conversa de bar, totalmente offline, mas ajuda bastante a manter tudo em ordem e funcionando, principalmente agora que a versão Labs do Gtalk se integra ao Google Calendar e ao Orkut.
  • Amplio o alcance das minhas idéias, utilizando o Google Translator para criar versões traduzidas (ainda que automaticamente e não muito corretamente) de páginas do blog. Útil especialmente quando estou com preguiça de reescreer um post em inglês ou quando quero ter uma idéia do que significa uma página em Russo, por exemplo. :-)
  • Blogo e publico mais rápido, já que agora o WordPress usa o Google Gears para acelerar a perfomance do gerenciador.
  • E o mais importante: aprendi que para ter sucesso é preciso aplicar intensamente em seus produtos e serviços a filosofia e princípios que prega que norteiam sua missão.

Para não dizer que o Google é unanimidade na minha vida, ainda não confio no Picasa e prefiro publicar minhas fotos no Flickr, e prefiro publicar no WordPress ao Blogger. Mas, ao menos na minha vida, talvez já esteja na hora de revisar Descartes:

Google, logo existo.

[atualizado em 05 de setembro de 2008]

O post foi citado numa matéria da INFO, edição 271 (setembro de 2008), sobre o Google.