Logos de corporações em versão 2.0

Tenho certeza que já rola pela internet há tempos, mas eu só vi hoje (cortesia do Alessandro Novais), logos de diversas empresas como Microsoft, Harley-Davidson, Camel, Converse (All-Star), Cisco Systems, NBC, Nike, Fox News, 3M, Apple, BMW, Dolce&Gabanna, Chevrolet e Coca-Cola em versão “web 2.0″, com logos coloridinhos, com reflexões e todo esse estilinho modernoso de sites como Flickr e Del.icio.us.

As imagens estão aqui ( www.nicora.net/yh/webtoodotoh/default.html ) e o artigo sobre o assunto aqui, ambos no site Nicora.

Divirta-se.

Para conquistar o leitor e o usuário, facilite.

Fabiana Fidelis, a Fabinca, é uma profissional da língua e está preocupada com o uso da sua própria língua.

Tudo bem, a frase acima é de gosto duvidoso, mas era preciso chamar atenção logo no começo do texto para atrair a atenção de diferentes perfis de leitores, levando em conta que qualquer coisa que possa ser entendido como sacanagem atrai bastante gente para o meu blog e para sites em geral. Mas saiba, a preocupação da Fabinca não tem nada de sacanagem, pois ela é uma profissional da língua portuguesa e este é um assunto que faz muita gente boa sumir de uma sala de aula ou simplesmente sair de um website. Ela se dedica a estudá-lo e ajudar pessoas a se relacionarem melhor com a própria língua (poderia ser outra piada de gosto duvidoso), ensinando-as a lerem e escreverem melhor, e também estudando ou questionando a prática do ensino da língua portuguesa, assunto recorrente em seu blogue. Recentemente, escreveu um texto com perguntas interessantes, que servem também a profissionais de outras áreas:

  • O que faz um texto ser interessante?
  • O que faz você ler ou fazer qualquer outra coisa?

Fabiana arrisca um palpite e faz uma colocação preciosa:

“Cada vez mais me pergunto se a leitura e a escrita não passam muito mais por aspectos subjetivos e afetivos do que por elementos técnicos.”

Eu sou tarado por leitura. Está escrito em todo website ou serviço onde é necessário colocar um perfil descritivo meu que sou leitor compulsivo. Realmente não sei dizer o que me faz ler todo tipo de texto: de bulas de remédio (é, eu acho legal) a revistas em quadrinhos, passando por romances, biografias, literatura técnica, artigos sobre sociologia, antropologia, teses, monografias, blogues dos mais diversos assuntos, revistas, jornais e períodicos das mais variadas áreas, et cetera. De qualquer forma, fica evidente que eu tenho um prazer e uma necessidade muito grande em ler. Sou curioso e de imaginação fértil, mas não sou capaz de dizer se isso vem da leitura ou se o gosto da leitura vem disso.

Mas o que desperta interesse em um menino que está tentando andar de skate numa viela na periferia, uma adolescente de classe média alta comprando acessório diferentes numa loja badalada ou uma jovem senhora de classe média baixa, recém-separada e com dois filhos pequenos ao lado esperando o metrô e olhando uma máquina de vender livros?

E o que o ensino da língua portuguesa tem a ver com design e projetos centrados no usuário?

Design centrado no usuário e língua portuguesa? Como assim?

A resposta é que os objetivos, princípios e métodos de um professor procurando estimular o gosto pela leitura e a melhora da escrita são, ou deveriam ser, bem semelhantes de designeres, projetistas e editores que buscam conquistar usuários.

Na matemática, diz-se que todo problema encerra a sua solução em seu enunciado e creio que Fabiana apontou o centro sensível da questão: levar em conta o público, o leitor, que é o usuário do texto, que pode vir em diferentes formas: livro, revista, jornal, bula, manual, grafites e pixações, cartazes, boletins, blogues, websites.

Na pergunta acima, um estudo do público poderia trazer como respostas, respectivamente: uma biografia do Bob Burnquist – skatista brasileiro campeão mundial diversas vezes-, um livro sobre moda e o código-civil brasileiro comentado.

No design ou em projetos centrados no usuário, devemos estudar os hábitos, a cultura, os processos cognitivos, contextos sócio-econômicos e a relação do usuário com as tecnologias, suportes e linguagens utilizadas na comunicação ou uso de um produto.

Parece óbvio, mas por incrível que pareça a maior parte dos projetos não conseguem implementar o óbvio. Seja por inabilidade, seja por falta de vontade ou simplesmente por não se darem conta da importância. O resultado é: educadores e projetos educacionais que não conseguem tornar a leitura algo agradável ou valoroso, e produtos e serviços pouco relavantes ou eficientes para seu público.

O usuário é rei. E quem somos nós?

Obviamente, elevar o usuário a um papel fundamental no processo não significa que devemos obedecê-lo cegamente. É preciso um acompanhamento planejado, levar em consideração questões logísticas, de recursos materiais, humanos e de tempo, assim como necessário unir as necessidades deles à da organização – seja uma editora, uma faculdade ou uma empresa vendendo seu peixe na internet. O gestor ou facilitador do processo, que pode ser um professor, um designer, um pai ou uma mãe, deve ter um objetivo preciso e dominar as ferramentas e técnicas para chegar ao fim desejado pelo usuário e pela organização ou instituição.

Pense em professores, designeres, editores, redatores, ilustradores e gestores como burocratas, artesãos, soldados e vassalos que fazem um reino funcionar. Mas tenha em mente que para o processo e o resultado serem eficientes e interessantes, devemos facilitar, pois o usuário, ou leitor, é o Rei.

‘braços

[atualizado em 13 de Novembro de 2007 às 17h31]

A Fabinca me informou que a Unochapecó, onde ela é professora, vai começar um curso de Pós-Graduação de Produção e Revisão de Texto. Publiquei um post com mais informações aqui.

Texto também publicado em:

Post-It: Gambiarra e Design

Acabei de encontrar um texto que cabe tanto na discussão sobre o post Brasil gambiarra e o Brasil bem feito como no post Design e Arquitetura de Informação para as massas.

É uma nota sobre a tese de Rodrigo Boufleur, que faz uma ligação entre a noção de gambiarra e design de produtos, afirmando um parentesco insuspeito entre ambas. Como taoísta, achei demais essa ligação entre “pólos opostos”.

Creio que uma diferença básica entre gambiarra e design seja o esmero e a sistemática do processo de criação e produção, mas vou tentar ler o estudo original para argumentar mais. Segue um trecho:

Enquanto o termo design está ligado ao que é considerado “nobre ou valioso”, a gambiarra é justamente o oposto: “o feio, o lixo, o mal acabado”. Segundo Rodrigo, apesar de antagônicas, uma pode até inspirar a outra. “Uma gambiarra, se for adaptada em escala industrial, poderá ser considerada posteriormente um design. Assim como um design, se adaptado a uma determinada necessidade poderá ser considerado simplesmente uma gambiarra”, compara.

fonte: USP Notícias: www.usp.br/agen/repgs/2006/pags/199.htm

Já valeu para abrir a mente.

‘braços

Post-It: Metalinguagem e intolerância lingüística

Conferindo as estatísticas do blog hoje, vi que chegaram até o Post-Its pela palavra chave metalinguagem.

Fuçei no Google com essa palavra chave e acabei achando o artigo Metalinguagem e Intolerância Lingüística, de Iara Lúcia Marcondes – que vale a pena ser lido. Apesar de não concordar com muitas colocações, coloca muito para se refletir. O artigo está em PDF e pode ser encontrado no endereço www.letramagna.com/iaraluciamarcondes.pdf .

Aliás, no site Letra Magna, onde encontrei o artigo da Iara, existem vários outros interessantes. Vai lá: www.letramagna.com/anteriores.htm .