Punkara – Asian Dub Foundation voltando à forma

No post Asian Dub Foundation: boa música e engajamento político e social além da retórica, eu comentei de meu receio que o ADF estivesse para acabar ou entrar numa fase de ostracismo e extrema perda de qualidade.

Semana passada foi lançado o Punkara, o novo álbum da banda, que mostra que o Asian Dub Foundation não acabou e que embora ainda não tenha conseguido fazer um disco tão bom quanto a obra-prima Community Music ou o excelente Rafi’s Revenge, mantém a qualidade sonora e engajamento social, lutando contra barreiras e preconceitos sociais e musicais.

Aliás, são especialistas em quebrar barreiras musicais: minha resistência à Funk Carioca e Axé Music & correlatos com as músicas Enemy of The Enemy (Funkão Político do álbum Fortress Europe) e S.O.C.A (Sonzeira guitarreira com vários ritmos latinos boa de se dançar na beira da piscina, do álbum Punkara). Continuo não sendo fã dos dois estilos, mas que hoje jã não torço tanto a cara, é fato.

Obviamente, já está nas redes Torrent, e quem quiser uma palhinha, pode ver na boa resenha que Alisson Gothz escreveu no site Rrraurl, incluindo mp3 de 4 faixas do álbums. E quem quiser saber mais, pode encontrar informações no site oficial e na wikipedia.

Aproveite. E keep bangin’ the walls!

Post-It: Mais sobre Asian Dub Foundation

Complementando o texto sobre o Asian Dub Foundation:

Aproveite.

‘braços

Asian Dub Foundation: boa música e engajamento político e social além da retórica

Acabei de receber um e-mail da gravadora do Asian Dub Foundation que traz ao mesmo tempo uma boa notícia e uma provável má sobre a banda.

  • A boa é que a banda está lançado uma coletânea que conta com 17 músicas, da quais 3 inéditas na edição especial, chamada Time Freeze;
  • A provável notícia má é que geralmente o lançamento de coletâneas precedem dissolução de bandas ou uma fase de ostracismo e perda de qualidade. E após a saída do baixista Dr. Das, tenho um medo muito grande do futuro do ADF.

Quem ou o que é Asian Dub Foundation?

É uma banda britânica formada por descendentes de indianos e paquisteneses que faz um som muito bom misturando drum’n bass, ragga, jungle, punk rock, dub, reggae, hiphop e muito mais – conseguiram até diminuir meu preconceito contra funk pancadão com a música Enemy of the Enemy, do álbum de mesmo nome.

O engajamento político, social e musical da banda vai muito além da retórica.

A banda se formou em uma organização cultural e educativa chamada Community Music, que oferecia oficinas de música e outras formas de arte e expressão a imigrantes em Londres e as letras refletem o engajamento concreto em questões sociais e políticas, através do suporte e participação ativa e concreta de várias campanhas e causas. Desde participar de campanhas de combate à violência contra mulheres – que rendeu uma bela música com participação da Sinead O’Connor chamada 1000 Mirrors, a protestarem em frente à prisões pedindo a liberdade de um imigrante que foi preso por reagir ao espancamento por parte de xenófobos e que também se transformou em música, chamada Free Satpal Ram.

O engajamento é tão forte que durante as turnês, é comum que os integrantes conheçam comunidades carentes e projeto sociais, além de buscarem conhecer a cultura, principalmente musical, de cada local ou comunidade que visitam. No documentário bônus do DVD Keep Bangin’ on the Walls (live) eles mostram diversos registros dessas visitas a comunidades em Cuba, Jamaica e Brasil, entre outros.

No Brasil, em 2001, conheceram a comunidade de Peixinhos em Recife, Vigário Geral no Rio e favelas em São Paulo. Em todos os locais, promoveram oficinas ou jam sessions com artistas locais. Em São Paulo tocaram no teatro do SESC Belenzinho junto com o grupo Os Meninos do Morumbi – você pode ver um trecho dessa apresentação no DVD – e tive o prazer de ser um dos dois fãs que viram essa apresentação extra-oficial, e acredite, foi só um gostinho do melhor show da minha vida: que começou com música nova, em português, e que contou com centenas de pessoas com energia suficiente para iluminar Sampa inteira.

A propósito, essa música em português chama-se 19 Rebellions, conta com participação de Edy Rock, dos Racionais MC’s e trata das motivações e implicações das rebeliões promovidas pelo PCCPrimeiro Comando da Capital em 2001.

Não consigo deixar de dar um sorriso irônico e nervoso ao pensar que uma banda estrangeira teve mais visão sobre um problema brasileiros do que nós mesmos. E apesar de toda a repercussão das ações de violência do PCC em maio de 2006, insistimos em fingir que monstros e anjos são invisíveis.

Quem tem ouvidos e olhos para ver, ouça e veja

Se você é fã da banda não preciso dizer muito, mas se você quer se dar a oportunidade de conhecer uma banda realmente relevante, veja o DVD Keep Bangin’ on the Walls e não deixe de ouvir a coletânea Time Freeze – The best of Asian Dub Foundation e 3 álbuns que considero fundamentais: Rafi’s Revenge, a obra prima Community Music e Enemy of the Enemy

Tenho certeza que será bom para abrir seus olhos, ouvidos e mentes. Afinal, como dito em 19 Rebellions: “as arma que nóis tem é nossa mente.” (sic)

‘braços e keep bangin’ on the walls.

Hotsite da coletânea: www.emi-artistes.com/adf/en/card/page2.html