Organizar e conquistar. Aprendendo com o PCC – Primeiro Comando da Capital

Em 2001, após a famosa rebelião do PCCPrimeiro Comando da Capital, durante um churrasco, comprei a antipatia de algumas pessoas e comprometi boas amizades ao defender a seguinte idéia:

O PCC deveria ser exemplo para a sociedade civil fora dos presídios. As chamadas pessoas “de bem” precisavam parar de clamar por mais sangue e pulso do estado e dar-se conta de que a sociedade tem que parar de perder pessoas de bem para a marginalidade e aprender com o PCC como se organizar e conquistar o que acredita ser certo.

Pouco dias depois, encontrei eco a esta idéia num show do Asian Dub Foundation SESC Belenzinho, onde a banda apresentou ao mundo a música 19 Rebellions, justamente sobre a rebelião do PCC e da necessidade da sociedade se organizar.

Segue trechos:

“A falha, a brecha, sempre existiu. Em todo o poder, em todo o Brasil.

[...]

Se a gente for ver o poder que a gente tem na não, é igual do detentos de São Paulo que mostraram a fraqueza do estado. Basta agora usar este poder aqui fora através de uma ação social radical organizada.”

E parece que agora tem mais gente concordando com isso, segundo pode-se depreender do texto do Marcelo Leite na Folha Online:

A ciência do PCC

Apesar de ter voltado a crescer no primeiro semestre de 2009, o número de homicídios vinha caindo desde 1999. Em 2000 eram 15 por dia na capital paulista; hoje são 3,5. Há muita discussão, e pouca conclusão, sobre as causas do fenômeno. (…)

Há uma (…) possibilidade (…) perturbadora: o PCC pode ser responsável por parte dessa redução.

Camila Nunes Dias constatou que o “Partido” se encontra hoje estruturado de maneira empresarial e com domínio completo sobre os presídios paulistas. Cada um deles é gerenciado pelo “piloto”, que se reporta à cúpula de 18 líderes. Fora das prisões, seus representantes são os “torres”, com jurisdição sobre cada área de código DDD do Estado de São Paulo.

Não foi só o número de homicídios que recuou, mas também o de rebeliões e assassinatos dentro das penitenciárias. A violência aberta tornou-se contraproducente para os negócios do PCC e hoje vigora mais como “ultima ratio“, medida excepcional. Para matar, todo irmão precisa de autorização da direção do Partido.

Para o bem e para o mal, o PCC racionalizou-se, mostram as ciências humanas. Se quisermos entender melhor o que está acontecendo, nós jornalistas precisamos conversar menos com policiais e políticos e mais com politólogos, sociólogos e antropólogos -além de presos e criminosos, como fez Camila Nunes Dias.

Espero que o fato de mais gente ter esta opinião signifique que o meu lamento de tempos atrás – de que uma banda estrangeira enxergou melhor nossos problemas – perca a razão de existir, e principalmente, que signifique que em breve vamos aprender a nos organizar e conquistar coisas positivas.

Coisas positivas como as referidas pelo partido ao final de seu estatuto:

Liberdade, Justiça, Paz.

Para todos.

Referências:

A Última Fronteira da Honestidade – Por André L. Soares

Excelente texto do André L. Soares (lobodomar no Twitter), mostrando que seja na metrópole, seja na praia, precisamos voltar a enxergar o ser humano.

A ÚLTIMA FRONTEIRA DA HONESTIDADE

– André L. Soares – 19.02.2009 –

Não faz muitos dias, estávamos eu e meu primo, apreciando as belezas da ‘Praia das Castanheiras’, no centro de Guarapari, enquanto a esposa dele e minha mãe olhavam pequenas lojas. Conversávamos qualquer banalidade quando, perto de nós, eclode acalorada discussão.

Pelo que entendi, um turista, com sotaque carioca e aparência de classe média, teria dito – em tom de brincadeira, ao menos na visão dele – alguma frase de menosprezo a um vendedor de redes nordestinas. Ofendido, o ambulante ameaçava partir para a briga. Depressa, o gozador saiu de fininho, entrou no carro e partiu, não sem antes dizer outro punhado de coisas para irritar, ainda mais, o pobre homem, que mal dava conta de carregar sua montanha de panos coloridos.

[...]

O que as pessoas não compreendem é que esses vendedores ambulantes – homens e mulheres, em sua maioria entre 15 e 40 anos – vivem, pacificamente, no limite derradeiro que a sociedade lhes permite para ganharem o pão com um mínimo de dignidade.

O texto, integral, está no blog Doce Fel, do André:

http://docedefel.wordpress.com/2009/02/20/a-ultima-fronteira-da-honestidade/

Morre a Pin-up Bettie Page

bettie-page-em-pose-masoquista

Bettie Page –  cujo nome você também pode encontrar gravado como Betty Page e que é provavelmente a pin-up mais fotografada da história e a maior influência no visual de 9,5 de 10 moderninhas, modernetes e descoladas de franjinhas em baladas e festas em São Paulo como Party Íntima, Astronete, Funhouse, CB Bar, Inferno, StudioSP, Vegas, Matrix e afins  -  morreu ontem, em Los Angeles.

Estou certo que após enfeitar baralhos, pôsteres e sonhos de garotos e marmanjos e deixar sua marca no mundo – influenciando a sociedade de forma poderosa – se existir céu e inferno, Bettie irá enlouquecer anjos e demônios com a beleza e sensualidade que lhe era característica.

Abaixo, segue notícia no Estadão e link para o Bettie Page Memorial.

Obrigado, Bettie.

Pin-up Bettie Page morre aos 85 anos nos EUA

Ex-modelo e atriz americana é considerada uma das pioneiras da revolução sexual que explodiria nos anos 60

Bettie Page, em uma de suas poses clássicas de biquíni dos anos 50 LOS ANGELES – A ex-modelo e atriz Bettie Page, cujas fotos ajudaram a desencadear a revolução sexual dos anos 1960, morreu na noite desta quinta-feira, 11, em Los Angeles, aos 85 anos, informou seu agente, Mark Roesler, em um comunicado. Ela morreu de pneumonia em um hospital da capital da Califórnia. No dia 2 de dezembro, ela havia sofrido um ataque cardíaco, não recuperou a consciência e permanecia internada.

A partir de 1950, Bettie Page passou a ser a modelo mais fotografada do mundo, especialmente de biquíni e lingerie. Sua imagem virou febre e foi estampada nas cartas de baralhos e álbuns. Na época, seus pôsteres sensuais decoravam os quartos dos jovens.

Ela posou para a página central da Playboy em 1955, e fez várias poses sadomasoquistas. Bettie passou décadas em reclusão, lutando contra problemas mentais, e emergiu convertida ao cristianismo evangélico. Desde os anos 90, Bettie page concedeu algumas entrevistas, mas nunca se deixou fotograr.

fonte: Estadão.com.br

Baixa porta e vambora

apagamos a luz e demos descarga. Vamos fechar logo a porta e ir embora.

Manchete na home do Estadão.com:

PM entra em confronto com policiais civis em SP

Civis estão em greve há um mês; tiroteio aconteceu durante manifestação no Palácio dos Bandeirantes

Comentário de Tutty Vasques:

Mocinho x Mocinho

Confirmado: São Paulo não precisa de bandido!

É mais um duro golpe no crime organizado.

Definitivamente, reformar o país não dá mais, o negócio é demolir, implodir e começar de novo.

Foto abaixo!

“Terceiro mundo vai explodir, quem tiver de sapato não sobra!”
(frase do filme O Bandido da Luz Vermelha, na música Pegue Essa Arma, do finado IRA!)

Policia Militar Entra em Confronto com Policiais Civis em São Paulo.

Manchete Estadao.Com.Br: Polícia Militar Entra em Confronto com Policiais Civis em São Paulo.

Pete Townsend, Roberto Cabrini, drogas e pedofilia

AVISO: este texto não tem a intenção de ser uma acusação ou fazer apologia à pedofilia ou tráfico de drogas.

Uma vez, escrevi aqui no Post-Its sobre o incômodo que sinto ao encontrar estatísticas de busca no blog por termos e expressões relacionados à pedofilia. Nessa semana, alguém entrou aqui no blogue procurando por “Crianças Transando” e fiquei muito incomodado novamente.

estatisticasblog-20080414-criancastransando

Na hora, me deu vontade de entrar no Google, digitar a mesma expressão e sair clicando em todo site que aparecesse, até descobrir algum site sobre pedofilia. Investigá-lo, anotar nomes de envolvidos, reunir evidências (inclusive fotos), talvez até me passar por um pedófilo, para depois pegar tudo o que reuni e fazer alguma denúncia, algo no gênero. Mas desisti, pois não quero passar pelo perrengue que Pete Townsend, guitarrista do The Who, passou. Lembremos:

Inglaterra, 2003. Pete Towsend acusado de pedofilia.

Townsend era usuário cadastrado em um site sobre pedofilia, teve seu computador invadido pelas autoridades britânicas e acusado de pedofilia. Em sua defesa, disse que estava reunindo informações para escrever sobre o assunto em sua autobiografia. Townsend alega ter sido molestado quando criança.

Sei que estou sendo imparcial e não tenho nada mais em quem me basear que minha intuição, mas creio que o Townsend realmente não era pedófilo e que deve ter dado uma risada nervosa sobre a ironia de ter sido acusado por algo de que foi vítima. Se considerarmos verdade que ele é inocente de pedofilia, pergunto: ele errou?

Mudemos de lugar e de tempo e vamos a outro caso que me fez pensar.

Brasil, 15 de Abril 2008. Roberto Cabrini é preso e acusado de tráfico de drogas.

Ontem, li a notícia de que Roberto Cabrini e sua equipe de reportagem foram presos com 15 papelotes de cocaína e acusados de tráfico de drogas.

Poucas informações foram divulgadas, e sinceramente, não procurei muito também. Mas enquanto o Cabrini e a equipe são indiciados e a polícia sustenta a acusação, a sua emissora informa que ele estava fazendo uma reportagem sobre o tráfico. Em algumas notícias, consta que que Cabrini diz que foi vítima de armação e que não sabia de quem eram os 15 papelotes de cocaína , enquanto em outras, principalmente as primeiras, sugeriam que a compra estava ligada à investigação em si.

Considerando o histórico e perfil de Cabrini - repórter incisivo, com gosto por reportagens e investigações polêmicas e incômodas para muita gente graúda – e considerando que já testemunhei um policial rodoviário ameaçando plantar droga no carro de uma amiga caso esta amiga não pagasse a cervejinha do feriado, não duvido da história dele. Mas para este texto, vamos considerar que ele realmente comprou os 15 papelotes e o motivo seria passar-se por usuário, e ganhar confiança do traficante ou algo no gênero.

Townsend foi chamado de ingênuo, mas Cabrini é macaco-velho e tem muita experiência em assuntos complicados como este. Novamente a pergunta: ele errou?

O certo, o errado. O legal e o ilegal.

De concreto, sabemos apenas que cometeram crimes: um acessou sites ilegais, outro portava uma quantidade elevada de substância ilegal. Vale notar que a legislação brasileira diferencia usuário de traficante pela quantidade e 15 papelotes não é exatamente quantidade para consumo próprio.

Sei de minhas opiniões, e guardo estas guardo comigo para evitar influenciar ou sugestionar, pois sei que o importante numa sociedade é o desejo e opinião da maioria – ao menos no modelo ideal. E justamente por isso peço a opinão de vocês sobre algumas perguntas que dizem respeito não apenas à legalidade, mas à moralidade e legitimidade dos nossos atos:

Então, considerando a possibilidade de Townsend e Cabrini terem dito a verdade, digam lá:

  • Eles erraram?
  • Vocês, queridos leitores e colaboradores, fariam o mesmo?
  • Até onde a lei é ou deve ser rígida nesses casos?
  • O que é mais importante: a legalidade ou a moralidade?

Reflitam, debatam e expressem-se.

‘braços