Post-It: Publicidade e Ética, por Ercílio Tranjan

Obrigatório ler e ver a entrevista Ercílio Tranjan no Jornalirismo. O publicitário, com extensa lista de serviços prestados à propaganda brasileiro metralha:

Me envergonha ser publicitário

“A propaganda do futuro começa no passado”

“A idéia era a seguinte: a gente deveria querer ver esse cara longe, mas, para vê-lo longe, a gente deveria tratar bem e respeitar o consumidor. Esse era o escopo. Hoje, é o contrário, como se isso fosse chato. Ou seja, o publicitário virou defensor de vender bebida alcoólica às 7 horas da noite. Parou de perceber que aquilo é um dano que ele também está ajudando a fazer. Espera lá, não é? Se há uma pessoa que respeita minha profissão sou eu, eu vivo disso, sempre vivi disso. Só acho que há maneiras éticas e responsáveis de fazer. Estou achando que as pessoas perderam isso. Se você falar esse discurso hoje, ou está velho, ou é visto como o discurso de quem está contra. O duro, para mim, é alguém achar que responsabilidade, ter uma visão responsável é contrário à idéia de criatividade. Isso é completamente absurdo. Eu sou irreverente para burro, adoro uma boa piada, adoro brincar com tudo, desde que eu não invada o direito dos outros, que não abra feridas e chagas na sociedade. Há um limite.”

“criei alguns inimigos à toa, porque eu dizia que nossa profissão era técnica. Quando houve a briga pela exigência do diploma, eu falava: “Gente, não é possível. Eu conheço grandes redatores que são engenheiros, médicos…”. Ou seja, não acredito em que um sujeito, para ser bom profissional de criação, tenha necessariamente que ter o curso de comunicação.

Entrevista no Jornalirismo, vídeo no YouTube, dica do BlueBus.

Mais sobre o livro Cabeça Tubarão e o Omelete.

Fechando o assunto sobre o lançamento do livro Cabeça Tubarão no site Omelete.

Enviei um e-mail para o Érico Borgo, um dos editores do site, comentando sobre a campanha e ele gentilmente respondeu opinando sobre a relação entre publicidade e conteúdo jornalístico. Segue abaixo o meu e-mail e logo depois o dele.

to: Érico Borgo

date: Oct 30, 2007 10:05 AM
subject: Re: Cabeça Tubarão n’Omelete

Olá Érico.

Primeiro, obrigado pelo livro, novamente.

Sobre a campanha, preciso dizer que gostei muito do formato e execução, mas no final, me senti meio ambíguo em relação à integração do conteúdo à publicidade, pois condenei isso recentemente em meu blog, na campanha do Citroën C4 Pallas. Não acredito que seja a mesma coisa, mas tem mais ou menos o mesmo princípio. Acabei colocando esse dilema no meu blog e gostaria de saber a sua opinião, e talvez da Joana, da Companhia, sobre isso. Além de ficar honrado, acho que seria positivo para o debate.

Segue o link: http://celsobessa.wordpress.com/2007/10/30/lancamento-do-cabeca-tubarao-no-omelete/

‘braços, saúde e sucesso.

Celso Bessa

E a resposta dele:

to: Celso Bessa

date: Oct 30, 2007 6:38 PM
subject: Re: CabeçaTubarão n’Omelete

O jogo foi uma idéia nossa. Eles nos procuraram para uma campanha e me deram o livro pra ler. Temos como princípio distanciamento total entre conteúdo e publicidade (note que todas as campanhas de filmes no Omelete têm críticas isentas – alguns com notas baixíssimas, caso do Jogos Mortais IV, por exemplo, que anunciou aqui e, mesmo assim, foi detonado pelo crítico), mas, pela primeira vez, achei que seria legal integrar.

Afinal, primeiro eu li e adorei o livro. Ele tem a cara do Omelete! Depois, o “vendi” aqui, pois achei que ele merecia uma chance maior junto aos leitores que o típico banner da vez. Não sou publicitário, sou editor, e imaginei que seria uma maneira bacana de anunciar de maneira mais divertida e inteligente, e colocar o leitor dentro daquele universo.

Só tivemos um e-mail questionando e reclamando da mistura, mas mesmo esse entendeu nossos motivos e, ao final, admitiu que divertiu-se. Os demais só elogiaram. De qualquer forma, esse tipo de impacto acontece só uma vez, portanto provavelmente não vamos voltar a usar o formato (afinal, também não somos um site de jogos).

[ ]´s

Érico Borgo

YouTube Video Identification + Adsense Video Units: mais um golpe na publicidade tradicional

“Is the end of the TV as we know it, and i feel fine!” (*)

Acabei de ver no blog oficial do Google, no post Latest content ID tool for YouTube, que a ferramenta de identificação de conteúdo do YouTube mencionanda aqui e no CyberTV está oficialmente online, em fase beta.

A ferramenta vai permitir que empresas ou pessoas que detêm direitos autorais sobre vídeos possam ter mais controle sobre material de sua “propriedade” que esteja no YouTube. Interessante notar que apesar de ter dado essa ferramenta poderosa, o Google está estimulando que os “donos” do conteúdo protegidos por copyright repensem suas políticas ao oferecer 3 possibilidades a eles: bloquear o acesso ao conteúdo, promovê-lo ou ainda monetizar os vídeos através de anúncios. E isso poucos dias após também disponibilizarem o Adsense Video Units para promotores de conteúdo e veículos em vídeo nos EUA e em inglês.

Eu aposto que poucos vídeos serão removidos e que em breve a oferta de conteúdo oficial vai crescer, muito.

E mais ainda: com anúncios relevantes em conteúdos sob demanda, num ambiente com conexões razoáveis e uma cultura de utilização de ciberspaço crescente para consumo, criação e distribuição de conteúdo televisivo, o modelo de TV e propaganda televisiva está fadado a um sequência de infartes em muito, muito breve.

Se vai sobreviver eu não sei. Mas eu vou deixar meu terno preto preparado.

‘braços

* = trocadinho entre o título do estudo The end of the TV as we know it e a música Is the End of the World as We Know it (And I Feel Fine) da banda americana R.E.M.