Reinterpretando Drummond 3 – No meio do caminho tinha um pedestre

No meio do caminho tinha um pedestre
tinha um pedestre no meio do caminho
tinha um pedestre
no meio do caminho tinha um pedestre

Nunca me esquecerei dêsse acontecimento
na avenida de tantas máquinas festejadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha um pedestre
tinha um pedestre no meio do caminho
no meio do caminho tinha um pedestre.

Celso Bessa sobre poema de Carlos Drummond de Andrade, mais uma vez, num ano ruim para pedestres, torcendo que a vida na Jecolândia volte a ter poesia.

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei dêsse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

Post-It: Transpiauí – Uma peregrinação proctológica, disponível online.

O “crássico” do MrManson, Transpiauí – Uma Peregrinação Proctólogica, está disponível para leitura online. Espero que a Ulrike tenha aprendido português o suficiente para perceber que o Paulo Coelho, de quem ela é fã, ainda precisa tomar bastante toddynho com farinha láctea.

E para ter noção do quanto ela é sortuda por conhecer São Paulo e a vizinhança, e não a Serra da Capivara, nessa viajem!

:-)

PS: Que mané Autobahn, nada! Quero ver aqueles BMWs rodarem na Transpiauí como aquele ônibus do livro do Manson!

Cabeça-Tubarão, o livro.

Lembram da campanha de marketing para lançamento do livro Cabeça-Tubarão no Omelete?

Pois é, fui um dos ganhadores e ganhei o livro e a minha opinião sobre livro é: gostei e não gostei.

Cabeça-Tubarão, o livro e a experiência midíatica tipográfica.

Adorei. O livro é ótimo nas experimentações: as ilustrações feitas a partir de letras, as sugestões de imagens a partir de palavras inseridas no meio de textos, as citações e referências à cultura pop em geral. Até a capa é muito bacana.

Eu diria que é o Tarantino escrevendo um texto após ler assistir Amnésia e muita poesia concreta, como aquele poema do Pignatari, Cloaca, ou um poema dos irmão de Campos, e portanto, um ótimo exemplo de experimentação com a forma. Professores de literatura poderiam utilizar em sala de aula.

Cabeça-Tubarão, o livro e a experiência literária

Detestei. O conceito (e conceito é a palavra-chave neste livro) e argumento é bom, muito bom, mas o ritmo e o estilo são confusos na tentativa de parecer moderno ou revolucionário. Algumas frases realmente me lembram aquelas frases de efeito bem viajadas que o Carlinhos Brown usa. Uma idéia boa, mas a execução ficou muito, muito aquém das minhas expectativas.

Mato ou leio o tubarão?

Pra resumir, vou guardar o livro por ter adorado os aspectos físicos e por gostar de livros anos depois para comparar se ainda penso e sinto o mesmo. Se algum amigo te emprestar, leia. Se não, economize seu rico dinheirinho.

‘braços

Mais sobre o livro Cabeça Tubarão e o Omelete.

Fechando o assunto sobre o lançamento do livro Cabeça Tubarão no site Omelete.

Enviei um e-mail para o Érico Borgo, um dos editores do site, comentando sobre a campanha e ele gentilmente respondeu opinando sobre a relação entre publicidade e conteúdo jornalístico. Segue abaixo o meu e-mail e logo depois o dele.

to: Érico Borgo

date: Oct 30, 2007 10:05 AM
subject: Re: Cabeça Tubarão n’Omelete

Olá Érico.

Primeiro, obrigado pelo livro, novamente.

Sobre a campanha, preciso dizer que gostei muito do formato e execução, mas no final, me senti meio ambíguo em relação à integração do conteúdo à publicidade, pois condenei isso recentemente em meu blog, na campanha do Citroën C4 Pallas. Não acredito que seja a mesma coisa, mas tem mais ou menos o mesmo princípio. Acabei colocando esse dilema no meu blog e gostaria de saber a sua opinião, e talvez da Joana, da Companhia, sobre isso. Além de ficar honrado, acho que seria positivo para o debate.

Segue o link: http://celsobessa.wordpress.com/2007/10/30/lancamento-do-cabeca-tubarao-no-omelete/

‘braços, saúde e sucesso.

Celso Bessa

E a resposta dele:

to: Celso Bessa

date: Oct 30, 2007 6:38 PM
subject: Re: CabeçaTubarão n’Omelete

O jogo foi uma idéia nossa. Eles nos procuraram para uma campanha e me deram o livro pra ler. Temos como princípio distanciamento total entre conteúdo e publicidade (note que todas as campanhas de filmes no Omelete têm críticas isentas – alguns com notas baixíssimas, caso do Jogos Mortais IV, por exemplo, que anunciou aqui e, mesmo assim, foi detonado pelo crítico), mas, pela primeira vez, achei que seria legal integrar.

Afinal, primeiro eu li e adorei o livro. Ele tem a cara do Omelete! Depois, o “vendi” aqui, pois achei que ele merecia uma chance maior junto aos leitores que o típico banner da vez. Não sou publicitário, sou editor, e imaginei que seria uma maneira bacana de anunciar de maneira mais divertida e inteligente, e colocar o leitor dentro daquele universo.

Só tivemos um e-mail questionando e reclamando da mistura, mas mesmo esse entendeu nossos motivos e, ao final, admitiu que divertiu-se. Os demais só elogiaram. De qualquer forma, esse tipo de impacto acontece só uma vez, portanto provavelmente não vamos voltar a usar o formato (afinal, também não somos um site de jogos).

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Érico Borgo