Design, Xintoísmo e a Alma das Coisas

Sempre fui um cara que valorizou mais o ser do que o ter. E muitas vezes, fico abismado com o nível de apego que muitas pessoas têm por certos objetos – seja um iPhone, uma BMW, um helicóptero, uma calça ou uma camiseta em especial. Ao mesmo tempo, olhando para o meu umbigo, muitas vezes me pego pensando, um pouco assustado, sobre a atração que uma interface ou objeto bem desenhado e funcional, exerce sobre mim.

O que poderia causar esta relação forte entre pessoas e objetos? Posso levanta várias suposições, mas hoje vi um post com um vídeo que me fez pensar que talvez seja uma questão espiritual, uma questão de energia.

A Alma das Coisas

Estava lendo o post A Alma das Coisas, no Blog Do Eugênio / Meu Jeito, uma ação da Brastemp para a linha Brastemp You e vi o trailer de um documentário que parece muito legal, Objectified, sobre design industrial. Parece que o documentário dá uma perspectiva bacana sobre design, em especial de objetos, e mostra o esforço e comprometimento envolvidos em criar um objeto de massa bonito e bacana.

E o título do post, A Alma das Coisas, me lembra de algumas idéias e conceitos que li há alguns anos sobre Xintoísmo, quando comecei estudar filosofias/crenças orientais, e que lembrei quando li o livro As Leis da Simplicidade, do John Maeda. E essas idéias e conceitos, embora não tenham mudado minha filosofia ou crenças, aumentaram muito o meu respeito pelo trabalho de artesãos e designeres, ao me fazer perceber o quanto colocam de energia, cuidado e um pouco de sua alma, junto à “alma” do que produzem.

O Xintoísmo é uma religião tipicamente japonesa, que tem fortes inclinações animistas: ou seja, atribui a objetos, seres e elementos uma alma ou energia vital. Às vezes até mesmo sentimentos. E de certa forma, isso explica o respeito que a cultura japonesa tem, de forma generalizada, para com os objetos e coisas.

Vejamos um pouco do que a Wikipédia nos conta sobre Xintoísmo e Animismo:

Xintoísmo

“O Xintoísmo, constitui um conjunto de crenças e práticas religiosas de tipo animista [...] Existem kami [divindades] ligados a fenómenos meteorológicos (chuva, vento (Fujin), trovão…), e kamis associados à vida humana (vestuário, transportes, ofícios, etc.).

Animismo

“O termo Animismo foi cunhado pelo antropólogo inglês Sir Edward B. Tylor, em 1871, na sua obra Primitive Culture (A Cultura Primitiva). Pelo termo Animismo, ele designou a manifestação religiosa na qual se atribui a todos os elementos do cosmos (Sol, Lua, estrelas), a todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres vivos (animais, árvores, plantas) e a todos os fenômenos naturais (chuva, vento, dia, noite) um princípio vital e pessoal, chamado de “ânima”, que na visão cosmocêntrica significa energia, na antropocêntrica significa espírito e na teocêntrica alma. Consequentemente, todos esses elementos são passíveis de possuirem: sentimentos, emoções, vontades ou desejos, e até mesmo inteligência. Resumidamente, os cultos animistas alegam que: “Todas as coisas são Vivas”, “Todas as coisas são Conscientes”, ou “Todas as coisas têm ânima”.”

John Maeda, no seu livro As Leis da Simplicidade, nos dá uma visão mais pessoal no trecho onde ele elocubra sobre as relações entre esta crença, a cultura nipônica e o design japonês:

Sentir e Sentir Empatia: Aichaku

Quando crescemos, minhas filhas e eu aprendemos que tudo em nosso ambiente, incluindo objetos inanimados, possuía um espírito vivo que merecia respeito. “Mesmo uma xícara?”, perguntávamos. “Mesmo uma mesa?”, “Mesmo o papelzinho que embrulha o chiclete?” “Mesmo a casa em que vivemos?” A resposta sempre foi: “Sim”.

De acordo com o esse rígido código de vida, se eu pegar uma folha de papel em branco, amassá-la e jogá-la fola, mereço ser punido. Eu estaria negando a existência do papel para tarefas úteis e a vingança divina resultaria desse meu desrepeito demonstrado ao papel. O sistema de crença da minha família foi baseado na forma extrema do xintoísmo, que é uma antiga tradição japonesa de animismo.

[...]

O modernismo é o movimento de design que levou à aparência industrial clean de muitos objetos de nosso ambiente. Ele rejeitou o ornamento desnecessário em favor da exposição da verdade de um objeto por meio das matérias-primas que o produzem. A rica tradição japonesa de objetos de madeira e argila, quase perfeitos, manufaturados, parece construída com base nos mesmos princípios do modernismo. No entanto, uma faceta oculta do design japonês é esse tema animístico. As superfícies laqueadas com precisão de uma bento box japonesa são mais do que fina produção; essas superfícies – e as bento boxes que elas compõem – são essencialmente vivas. A caixa inanimada está de acordo com sua própria existência espiritual. Pode haver um apego emocional natural à força vital do objeto que é uma espécie de ornamentação profunda e oculta conhecida apenas por aqueles que conseguem senti-la.

Aichaku é o termo japonês para o sentimento de apego que uma pessoa sente por um artefato [...] É um tipo de amor simbiótico por um objeto que merece afeição não pelo que faz, mas pelo que é. Reconhecer a existência do aichaku em nosso ambiente construído ajuda-nos a aspirar a criar design de artefatos pelos quais pessoas irão sentir empatia e também cuidar e possuir durante a vida inteira.

Costumo dizer que metade da beleza de uma mulher é sua postura, que acredito ser a forma como ela comunica ao mundo como é seu espírito. E talvez beleza seja justamente isto: traduzir em forma física aquilo que está na alma.

E você, como vai traduzir a sua?

Vaga para designer (webdesigner) no departamento de marketing da BRQ IT Services

Update:

Senhoras e senhores que enviaram seus e-mails com currículos e portifólios. Muito obrigado.

O processo de seleção chegou ao fim e todos os que enviaram os e-mails estarão no nosso banco de currículos para futuras oportunidades.

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Aê, criançada!

Assim como no ano passado, o departamento de marketing da BRQ IT Services precisa encontrar um novo profissional para auxiliar no crescimento da empresa.

Essencialmente, precisamos de um webdesigner que também tenha experiência em material gráfico, mas está aberto a quem cursa ou cursou publicidade, editoração, design gráfico, design digital, webdesign e afins, preencha os requisitos e está a fim de ralar (e é ralar mesmo) dentro de uma empresa – não em agência.

O lance aqui não é glamour.

Requisitos da vaga – Designer (webdesigner) no marketing de empresa de tecnologia da informação

  • Conhecer XHTML, CSS e semântica;
  • Dominar ferramentas Adobe (Ilustrator, Photoshop, Flash, Dreamweaver, Acrobat), Corel e Office (principalmente PowerPoint, afinal, o mundo corporativo não sobreviver sem isso);
  • Conhecimento básico de Javascript e PHP;
  • Afinidade com marketing, negócios e comunicação em geral;
  • Boa redação e inglês técnico;
  • DIFERENCIAL: Experiência em materiais impressos;
  • DIFERENCIAL: Conhecimento da plataforma WordPress e conhecimentos básicos de SEO – Search Engine Optimization

E afinal? Qual é a dessa BRQ IT Services e porquê eu seria webdesigner no departamento de marketing?

A BRQ IT Services é uma empresa de TI – Tecnologia da Informação a atende clientes de grande porte, principalmente no setor bancário e público (há uma lista de clientes logo abaixo). Provavelmente quando você paga algum imposto ou algum serviço no banco, em algum momento essa transação passará por um sistema projetado ou executado pela empresa.

Nos últimos anos, a BRQ tem crescido através de aquisições e crescimento orgânico e só em 2008 abriu 5 novas unidades em Fortaleza, Madrid, Nova York, Recife e Salvador. Além de ter efetuado 3 aquisições.

Abaixo você encontra o Sobre a BRQ oficial e no website da empresa pode encontrar mais informações institucionais, press-releases e notícias.

Sobre a BRQ IT Services

Fundada em 1993, a BRQ IT Services é uma das principais empresas de Serviços de TI do país. Focada em integração, desenvolvimento de aplicações sob medida e outsourcing de aplicações, possui grande know-how no setor financeiro, além de ser reconhecida também em outros segmentos. Atingiu o faturamento de R$ 150 milhões em 2007, mantendo um crescimento médio superior a 40% ao ano desde a sua fundação.

A BRQ tem escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Curitiba, Brasília, Fortaleza, Salvador, Recife, Madri e New York e conta com 2.000 profissionais. Na lista de parceiros estão grandes fabricantes como IBM, Microsoft, Oracle, Adobe. Seu principal valor é a ética na relação com seus clientes e possui uma cultura de alta qualidade na entrega dos serviços. Possui clientes como: Bradesco Seguros e Previdência, Santander, Unibanco, Itaú, Citibank, HSBC, IBM, Icatu Hartford, Liberty Seguros, Pão de Açúcar, Petrobrás, Safra Nacional Bank, Sul América, dentre outros.

Como se candidatar à vaga de designer (webdesigner) no marketing BRQ IT Services?

Se você acha que tem essas características ou outras que pode ser valiosas para nós, envie seu currículo e link de portifólio para o e-mail marketingbrq{{arroba}}gmail.com e boa sorte.

‘braços

Celso Bessa

Design Editorial – Melhores de Capas de Livros

Capa de Why You Should Read Kafka Before You Waste Your Life, de James Hawles. (Desenho de Barata lendo o livro, uma irônica referência ao personagem de Metamorfose, de Kafka, que se transforma em barata)Acabei de ver, no Moda Sem Frescura (da Biti Averbach), no post Julgue o Livro Pela Capa, uma dica sobre uma listinha com as melhores capas de livros lançados em 2008.

A lista foi publicada no blog gringo The Book Design Review, no post My Favorites Book Covers 2008 e vale a pena uma olhada. Especialmente se você é fascinado(a) por design editorial – principalmente capas de livros e revistas – como eu.

Capa de Man in the Dark, de Paul Auster (silhueta de homem no chão cinza, com bandeira americana onde estaria a mão)Além da capa que Biti publicou, gostei muito do livro Why You Should Read Kafka Before You Waste Your Life (de James Hawkes), Violence (de Slavoj Zizek) e Against Happiness (de Eric G. Wilson).

Para ver todas as capas, clique nos links abaixo:

Slip. De novo, Nine Inch Nails lança álbum de graça na internet

Pouquíssimo tempo depois de lançar o controverso Ghosts I-IV, o Nine Inch Nails lança outro álbum, de graça na internet: Slip.

E pelo jeito, quer mergulhar mesmo na cibercultura e cibersociedade: assim como o Ghosts I-IV teve divulgação e distribuição via internet e campanhas de apoio interessantes como distribuição de media kit com livreto e o festival de cinema YouTube + Nine Inch Nails, o Slip está sendo divulgado via sites de Torrents, Flickr e diversas comunidades e redes sociais.

E no site, a banda faz declarações para deixar bem claro sua posição e princípios:

“As a thank you to our fans for your continued support, “we are giving away the new nine inch nails album one hundred percent free, exclusively via nin.com.

[...]

the slip is licensed under a creative commons attribution non-commercial share alike license.

we encourage you to remix it, share it with your friends, post it on your blog, play it on your podcast, give it to strangers, etc.”

E traduzindo:

“Como agradecimento a nossos fãs pelo suporte contínuo, nos estamos dando o novo álbum do Nine Inch Nails, 100% gratuito, exclusivamente via nin.com.

[...]

The Slip é licenciado sob licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 3.0.
Nós o encorajamos a remixá-lo, compartilhar com seus amigos, publicar no seu blog, tocar no seu podcast, dá-lo para estranhos, etc.”

E, não por coincidência, três dias atrás eu recebi um e-mail do site nin.com anunciando a pré-venda de ingressos para a turnê do Nine Inch Nails nos EUA em 2008. Parece que o modelo comercial daqui pra frente é mesmo show né?

Agora é que neguinho vai ter que mostrar do que é feito também ao vivo, não apenas no estúdio.

Alguma dúvida de que eu já baixei o álbum e que estarei no show se eles vierem Brasil novamente?

:-)

Vejam abaixo o vídeo de uma das faixas do álbum, a babinha e cheia de segundas intenções, Discipline:


‘braços

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Simplicidade e usabilidade nos aplicativos corporativos

Simplicity Diagram comparing Apple, Google and any other IT Company productQuer saber o que faz a diferença entre um produto Apple, Google e o da sua empresa?

É simples, clique na imagem ao lado e veja o post Simplicity no Things That Happens.

(Dica do Alexp, chefão da área de arquitetura da BRQ e líder da Aliança Cap no Ikariam!)