Baixa porta e vambora

apagamos a luz e demos descarga. Vamos fechar logo a porta e ir embora.

Manchete na home do Estadão.com:

PM entra em confronto com policiais civis em SP

Civis estão em greve há um mês; tiroteio aconteceu durante manifestação no Palácio dos Bandeirantes

Comentário de Tutty Vasques:

Mocinho x Mocinho

Confirmado: São Paulo não precisa de bandido!

É mais um duro golpe no crime organizado.

Definitivamente, reformar o país não dá mais, o negócio é demolir, implodir e começar de novo.

Foto abaixo!

“Terceiro mundo vai explodir, quem tiver de sapato não sobra!”
(frase do filme O Bandido da Luz Vermelha, na música Pegue Essa Arma, do finado IRA!)

Policia Militar Entra em Confronto com Policiais Civis em São Paulo.

Manchete Estadao.Com.Br: Polícia Militar Entra em Confronto com Policiais Civis em São Paulo.

27 dias para a Alemanha e contando – Idioma e Comunicação

In principio erat Verbum
[...]
Omnia per ipsum facta sunt…
(*)

“A invenção da imprensa é o maior acontecimento da história. É a revolução mãe… é o pensamento humano que larga uma forma e veste outra… é a completa e definitiva mudança de pele dessa serpente diabólica, que, desde Adão, representa a inteligência.”
Victor Hugo, Nossa Senhora de Paris, 1831

No texto 30 Dias Para a Alemanha e Contando, eu comentei sobre duas das minhas lembranças mais antigas de simpatia pela Alemanha: um episódio clássico do desenho Pica-Pau e um comercial da Kohlback Motores.

Penso que o primeiro contato empático e simpático com a Alemanha foi justamente o idioma, o código básico sem o qual nenhuma comunicação pode acontecer: seja através de imagens, da escrita, da fala, é preciso haver um conjunto de códigos, um idioma, para que possa haver comunicação. E se não bastasse a importância óbvia de se comunicar direito em uma viagem para o estrangeiro, o idioma alemão e a importância da Alemanha na comunicação sempre exerceu fascinação sobre mim.

As origens do idioma alemão estão entres os diversos dialetos da Europa Central – origens compartilhadas com muitas línguas anglo-saxônicas – e um pouco de latim. Digamos que é uma zona fronteiriça que se tornou um território independente e forte. No Brasil, esse processo ainda está acontecendo e é ainda mais forte, visto que nosso idioma tem origem na convergência de diversas línguas e culturas: português, toda a família Tupi, os grupos linguísticos africanos, e, em menor intensidade, todas as línguas dos grupos que migragram para nosso país. Essa dinâmica cultural e linguística normalmente leva os países a assumirem influência histórica muito grande. E se hoje o Brasil passa a exercer, cada vez mais, influência cultural, política e econômica, como defendido por muitos, a Alemanha, sua cultura e seu idioma teve papel fundamental no que talvez tenha sido a maior revolução da Era Cristã: a Reforma Protestante.

Sem entrar em pormenores – você pode encontrar isso facilmente n’O Grande Oráculo Divino ou na Wikipedia – a reforma só se tornou uma revolução de grandes proporções por causa da criação, por Johannes Gutenberg, da imprensa com tipos móveis, que permitiu a Martinho Lutero ousar questionar a Igreja Católica espalhando panfletos com seus manifestos, em alemão, por todo o canto. Até então, a informação era muito controlada, pois os livros sagrados do catolicismo, que regiam a vida de todos, eram escritos em latim, e qualquer publicação era feita à mão, num ritmo lento e capacidade de produção muito limitada. Como poucos sabiam ler e o acesso a livros era difícil, poucos tinham subsídios para questionar os fundamentos da ordem vigente. O invento de Gutenberg e a ousadia de Lutero abriram caminho para oposições, discussões, e pavimentou o caminho para a comunicação e alfabetização de massa. Por consequência, isso tudo permitiu que idéias fossem espalhadas mais facilmente e independente de seu autor estar presente num local.

Sem medo de usar um clichê, o que veio depois, é história: Rousseau, Victor Hugo, Marx, Hitler e Goebbels, Saramago, Eu, a Ulrike e você leitor pudemos nos comunicar com o mundo.

A “culpa” é dos alemães.

Schreib mal und lies mal!

Escreva! Leia!

‘braços

Celso Bessa

* = No princípio era o Verbo
[...]
e todas as coisas foram feitas por ele…

(Evangelho de João, Capítulo 1, Versículos 1 e 3)

O último a sair dá descarga, apaga a luz e fecha a porta.

Em São Paulo há um jornal gratuito, chamado Destak. Talvez eu esteja muito pessimista, mas a capa da edição de ontem me deixou deprimido. Seguem as manchetes e comentários:

Trânsito de SP vai travar em cinco anos, diz estudo

Considerando que eu gastei 25 minutos num trecho que normalmente levo 5, eu diria que esse colapso acontecerá mais cedo.

Domingos de Oliveira tem filmes prontos à espera de patrocinador.

Seria uma boa notícia, mas demonstra o quanto a cultura está ao “Deus dará”.

Governo quer passageiros indenizados por atrasos

Obviamente o custo das indenizações serão repassados aos preços.

País também vai mal em leitura e matemática

Essa eu não consegui entender pois estava procurando a calculadora para calcular os efeitos da próxima manchete.

Mensalidade sobe até 55%, quase o dobro da inflação

A calculadora mencionada acima me ajudou a calcular quanto vou pagar de faculdade se o aumento continuar em 55% em cinco anos.

Pego no antidoping, ele diz que não pára

A atitude de Romário, semelhante à de Renan Calheiros, serve para confirmar minha tese de que o futebol reflete o que é a cultura de um povo, no caso do Brasil, falta vergonha na cara, como veremos na próxima manchete.

Calheiros renuncia à presidência e escapa outra vez da cassação.

Acho que não preciso comentar sobre Renan Calheiros e sua atitude de Romário despreocupado no Congresso. Com licença, vou jogar no lixo… o jornal, não o país.

‘braços

30 dias para a Alemanha e contando

…se não sais de ti, não chegas a saber quem és … é necessário sair da ilha para ver a ilha…
(José Saramago, O Conto da Ilha Desconhecida)

Se você entrar no meu perfil, verá que está escrito Germanófilo. Aliás, está escrito em português, inglês, e alemão.

Não sei porquê e não sei quando começou essa paixão pela Alemanha.

Talvez tenha sido aquele episódio do desenho Pica-Pau “chamando o Dr. Hans Chucrute“, talvez tenha sido uma propaganda dos motores Kohlback (“coloca o língua no céu da boca e diz: kohhllllllllllback”), talvez a seleção alemã de futebol na Copa de 1986, a bandeira estilosa com aquela águia mal-encarada no meio (agora é sem a águia, que é o brasão de armas do país), o Kraftwerk, Beethoven, Bauhaus (a escola) e a história do design, aquele oba-oba todo sobre a ossada do Dr. Josef Mengele nos anos 1980 ou algo no gênero.

O fato é que sempre tive uma queda pela cultura e história alemã, pelo idioma e pela psicologia do povo alemão. Há muito quero conhecer a Alemanha e em 30 dias, estarei lá, realizando o sonho.

E as pessoas perguntam: por quê Alemanha?

A resposta mais honesta é: Ich weiss nicht! (Eu não sei!)

Já dei diversas respostas para essa pergunta, enumerando N motivos para gostar da Alemanha e provavelmente todas são verdadeiras. A mais freqüente é que acho que são povos muito diferentes, e ultrapassar as diferenças entre as pessoas e povos é um dos assuntos que mais me interessa. Mas só isso não se justifica.

De qualquer forma, pretendo descobrir mais sobre os motivos dessa paixão a partir de 26 de dezembro, quando serei o guia oficial da Ulrike – minha amiga alemã de Frisenheim e escritora do Honeymood - pelas ruas de São Paulo, dos meandros do ser paulistano e das feijoadas com caipirinhas e cerveja gelada da maior cidade brasileira. E na sequência ela será minha guia pelos caminhos da Alemanha, do povo alemão, e também dos vinhos e cervejas alemãs, afinal, além de riqueza cultural, se há algo que estes povos tão diferentes compartilham é o gosto pela boa comida e pela boa bebida.

E podem acreditar que vou brindar cada descoberta, seja gastrônomica, etílica, cultural ou pessoal.

Prost! Saúde!