Post-It Pessimista: Romááááário, a Mídia e Pizza Desportiva!

No post O último a sair dá descarga, apaga a luz e fecha a porta eu lamentei a conduta de Romário e o comparei ao Renan Calheiros:

Pego no antidoping, ele diz que não pára

A atitude de Romário, semelhante à de Renan Calheiros, serve para confirmar minha tese de que o futebol reflete o que é a cultura de um povo, no caso do Brasil, falta vergonha na cara, como veremos na próxima manchete.

Calheiros renuncia à presidência e escapa outra vez da cassação.

Acho que não preciso comentar sobre Renan Calheiros e sua atitude de Romário despreocupado no Congresso. Com licença, vou jogar no lixo… o jornal, não o país.

Pois é, lendo a coluna do Júlio Moreira no Blue Bus hoje não posso deixar de notar o quanto a pizza desportiva tem gosto semelhante à pizza comum, e o quanto a minha idéia para tese antropológica de que se pode estudar uma sociedade por sua relação com o futebol é válida. Leiam o trecho abaixo e depois a matéria completa lá no original:

Julio Moreira | Julgamentos de Romario – e a formaçao intelectual

Quem ler a matéria da Folha de Sao Paulo vai pensar que se trata de outro julgamento. Descobrirá que o STJD absolveu 40% dos atletas que foram pegos no exame antidoping no ano passado. Vai saber também, que o presidente Rubens Aprobato, afirmou – “Formalmente ocorreu uma infraçao? Sim. Formalmente a decisao da primeira instância está correta? Sim. Mas pela formaçao moral, intelectual de Romário..,”. E disse mais – “Maradona aspira cocaína, cheira. Romário merece respeito. Ele nao é maconheiro, cocaineiro“. 15/02 Julio Moreira

Do Campus Party ao Seriado Heroes. Da velha mídia à (des)inteligência coletiva.

Coluna de Márcio Machado, no BlueBus, hoje, sobre uma guerra entre os blogueiros e o jornalismo da velha guarda, no Campus Party:

O bate papo iniciou de forma doce, com Suzana Apelbaum falando sobre “o impacto das sociedades em rede no mundo publicitário”. Suzana detalhou oportunidades e ameaças para as marcas neste novo cenário e apresentou um case da NBC com o seriado Heroes, onde o roteiro é escrito de forma colaborativa com os fans da série.

Sou entusiasta e pesquisador de inteligência coletiva, comunidades digitais e ferramentas colaborativas, mas este pode ser um motivo do seriado Heroes ter perdido tanta qualidade, em especial na confusa segunda temporada. Minha experiência e pesquisa mostra que na maioria dos casos onde há ambiente de produção ou atuação colaborativo ou comunitário, as maiores dificuldades são manter a coesão do grupo ou qualidade dos resultados, e as dificuldades aumentam quanto mais heterogêneo é o grupo. E com essa onde de colaborativo, a tentação de deixar tudo na mão da comunidade sem uma forma de mediação ou controle, e a de tudo degringolar, maior ainda.

Repicando: Filmes para download, Júlio Moreira, Cultura e Campus Party

Só para tentar retomar o ritmo do blog, dois repiques.

Foriegn Movies (Via Catatau)

Foriegn Movies (Anagrama para Foreign Movies, filmes estrangeiros) é um banco de links, para filmes estrangeiros (do ponto de vista americano), cult ou menos convencionais para os padrões de Hollywood.

Foriegn Movies: www.foriegnmoviesddl.com/

Texto original, no Catatau: catatau.blogsome.com/2008/02/14/foreign-movies/

Julio Moreira | O cara da Cultura reclamou q eu só falo da Globo

Um mea-culpa do colunista do Blue Bus, Júlio Moreira, por ter esquecido a TV Cultura (que faz a cobertura oficial do Campus Party) ao comentar justamente da cobertura do eventos pelas emissoras de televisão. Dar a cara para bater e pedir desculpas é algo que respeito, muito: www.bluebus.com.br/show.php?p=1&id=81877

Post-It: Publicidade e Ética, por Ercílio Tranjan

Obrigatório ler e ver a entrevista Ercílio Tranjan no Jornalirismo. O publicitário, com extensa lista de serviços prestados à propaganda brasileiro metralha:

Me envergonha ser publicitário

“A propaganda do futuro começa no passado”

“A idéia era a seguinte: a gente deveria querer ver esse cara longe, mas, para vê-lo longe, a gente deveria tratar bem e respeitar o consumidor. Esse era o escopo. Hoje, é o contrário, como se isso fosse chato. Ou seja, o publicitário virou defensor de vender bebida alcoólica às 7 horas da noite. Parou de perceber que aquilo é um dano que ele também está ajudando a fazer. Espera lá, não é? Se há uma pessoa que respeita minha profissão sou eu, eu vivo disso, sempre vivi disso. Só acho que há maneiras éticas e responsáveis de fazer. Estou achando que as pessoas perderam isso. Se você falar esse discurso hoje, ou está velho, ou é visto como o discurso de quem está contra. O duro, para mim, é alguém achar que responsabilidade, ter uma visão responsável é contrário à idéia de criatividade. Isso é completamente absurdo. Eu sou irreverente para burro, adoro uma boa piada, adoro brincar com tudo, desde que eu não invada o direito dos outros, que não abra feridas e chagas na sociedade. Há um limite.”

“criei alguns inimigos à toa, porque eu dizia que nossa profissão era técnica. Quando houve a briga pela exigência do diploma, eu falava: “Gente, não é possível. Eu conheço grandes redatores que são engenheiros, médicos…”. Ou seja, não acredito em que um sujeito, para ser bom profissional de criação, tenha necessariamente que ter o curso de comunicação.

Entrevista no Jornalirismo, vídeo no YouTube, dica do BlueBus.

A Microsoft vai vender o quê?

Li uma notícia hoje no Blue Bus que me fez gargalhar. A Microsoft vai gastar uma grana preta numa campanha para tentar não perder usuários para concorrentes como o Google ou Apple. Segundo a nota:

MS promete campanha para se defender da Apple e do Google

4 agências estao disputando a verba que estaria entre U$ 200 milhoes e U$ 300 milhoes – McCann, Crispin Porter & Bogusky, Fallon e JWT. Noticia do Ad Age, aqui em inglês, diz que o objetivo da campanha é tentar nao perder consumidores para produtos gratuitos, como os desenvolvidos pelo Google, ou opçoes ‘cool‘, como as lançadas pela Apple. 03/12 Blue Bus

Por quê eu ri? Bom, primeiro um adendo à nota: os produtos Google e Apple não são apenas gratuitos ou bacanudos/legal/cool. Na sua maioria, eles são melhores ou inovadores, faz parte do espírito destas empresas inovar.

Dito isso, vem o motivo de riso: a Microsoft vai vender o quê?

Se um concorrente faz algo melhor e de graça (*) e outro faz algo melhor e mais legal, ela vai concorrer como?

Somos a Microsoft, temos produtos não muito inteligentes, não muito bonitos e não muito baratos. Mas seja nosso cliente!

E ri mais ainda imaginando a cara dos publicitários (a maior parte gosta de produtos Apple!) se descabelando para criar essa campanha, que sem haver uma mudança profunda nos modelos de negócios, na filosofia e no direcionamento na criação de produtos e serviços, será só gasto e/ou prejuízo, e muito maior que os US$ 300 milhões da verba.

Marqueteiros leitores ou seguidores de Kotler, Mintzberg, Gracioso e afins: alguém aí tem uma boa idéia para transformar essa tarefa inglória num sucesso? E eu digo sucesso igual da campanha Get a Mac (Mac vs PC), que vai ficar cada vez mais fácil se a Microsoft não mudar.

* = De graça naquelas, eu ainda acredito na idéia de que não há almoço grátis.