Reinterpretando Drummond 3 – No meio do caminho tinha um pedestre

No meio do caminho tinha um pedestre
tinha um pedestre no meio do caminho
tinha um pedestre
no meio do caminho tinha um pedestre

Nunca me esquecerei dêsse acontecimento
na avenida de tantas máquinas festejadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha um pedestre
tinha um pedestre no meio do caminho
no meio do caminho tinha um pedestre.

Celso Bessa sobre poema de Carlos Drummond de Andrade, mais uma vez, num ano ruim para pedestres, torcendo que a vida na Jecolândia volte a ter poesia.

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei dêsse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

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